Bruxelas está menos otimista do que o Governo, mas Medina diz que “está confortável” com previsões

“Estamos confortáveis e sustentamos as projeções que fazemos, que, aliás, estão muito alinhadas com as do CFP”, sublinhou Fernando Medina, em reação às projeções da Comissão Europeia.

Cristina Bernardo

A Comissão Europeia está menos otimista do que o Governo de António Costa sobre a evolução da economia portuguesa no próximo ano e até reviu em baixa esta sexta-feira a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, mas o ministro das Finanças garante continuar “confortável” com as previsões que incluiu na proposta de Orçamento do Estado para 2023 (OE2023), “que, aliás, estão muito alinhadas com as do Conselho das Finanças Públicas (CFP)”.

Fernando Medina está a ser ouvido esta tarde na Comissão de Orçamento e Finanças, a propósito da discussão na especialidade do OE2023. Foi nesse contexto que a liberal Carla Castro confrontou o ministro com as previsões do executivo comunitário, que foram divulgadas esta manhã, e o responsável respondeu: “Estamos confortáveis e sustentamos as projeções que fazemos, que, aliás, estão muito alinhadas com as do CFP”.

O governante responsável pela pasta das Finanças reconheceu que, no atual “contexto de incerteza”, fazer projeções é um exercício exigente, mas destacou que a Comissão Europeia, tal como o Executivo português, prevê que o país continuará a crescer no próximo ano.

Na proposta orçamental para 2023, o Governo prevê que a economia crescerá 1,3%. Em comparação, o CFP aponta para um aumento de 1,2% do PIB nacional. Já a Comissão Europeia tinha projetado para um salto de 1,9%, mas esta manhã reviu em baixa essa estimativa: antecipa agora um crescimento de 0,7%, em linha com o Fundo Monetário Internacional.

Ainda que a projeção de Bruxelas seja agora bem diferente da do Governo português, Fernando Medina sublinhou, no Parlamento, que ambas vão no sentido do crescimento e mostram o PIB luso a subir mais do que a zona euro.

O ministro das Finanças salientou, além disso, que a Comissão Europeia prevê que a taxa de desemprego se manterá estável, o que é da maior importância, frisou. E realçou ainda que o Executivo comunitário até vê a dívida pública a cair mais do que o Governo.

Quanto à inflação, indicador que Bruxelas vê a atingir 8%, quando o Governo estima uma taxa de 4%, Fernando Medina remeteu para o quadro de incerteza.

Contas feitas, o responsável afirmou que a diferença entre as projeções resultam essencialmente “da diferença da procura externa líquida”.

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