Bruxelas pede prudência orçamental aos Estados-membros num “período intensamente exigente”

Vice-presidente executivo da Comissão Europeia defende prioridade à sustentabilidade orçamental e coerência “com a tarefa do Banco Central Europeu de reduzir a inflação”

O vice-presidente executivo da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis pediu este sábado, 10 de setembro, aos Estados-membros da União Europeia (UE) prudência orçamental perante o atual “período intensamente exigente”, dada a elevada inflação e a acentuada crise energética.

“Todas as economias da UE estão a atravessar um período intensamente exigente. Como sabemos, as pressões vêm de muitos lados: inflação recorde e questões de fornecimento de energia, entre outras, que estão a travar o crescimento e a restringir o espaço de manobra política e, por isso, é importante que atravessemos o período difícil com as políticas corretas e de forma coordenada”, declarou Valdis Dombrovskis.

Falando em conferência de imprensa no final de uma reunião informal dos ministros das Finanças da UE, em Praga, no âmbito da presidência checa do Conselho, o responsável europeu vincou que, “no próximo ano, a política orçamental tem de ser prudente”.

“Tem de dar prioridade à sustentabilidade orçamental e ser coerente com a tarefa do Banco Central Europeu de reduzir a inflação”, acrescentou Valdis Dombrovskis, depois de o BCE ter decidido aumentar em 75 pontos base as suas três taxas de juro diretoras, o segundo aumento consecutivo deste ano.

E após os governos da zona euro terem admitido já na sexta-feira que a guerra na Ucrânia e a crise energética aumentaram o risco de recessão, o vice-presidente executivo da Comissão Europeia disse, ao mesmo tempo, ser necessário “ajudar as pessoas e empresas que mais sofrem, pelo que as medidas de apoio têm de ser bem direcionadas e temporárias”.

“Isto é importante para conter os impactos orçamentais, tendo em conta a grande escala do choque e os limitados meios disponíveis”, adiantou.

Valdis Dombrovskis exortou ainda a “progressos na revisão do futuro quadro de governação económica da UE”, apontando que a Comissão Europeia irá avançar com orientações sobre essa matéria este outono e que “parece haver uma ampla convergência sobre estas prioridades”.

Em concreto, o responsável afirmou ser necessário “assegurar que a dívida pública está efetivamente a diminuir”, prestar “a devida atenção à composição e qualidade das finanças públicas”, bem como reduzir “a complexidade e melhorando o cumprimento” das regras orçamentais.

Os governos da zona euro já vieram admitir que a guerra na Ucrânia aumentou o risco de recessão, mas descartam que a economia esteja inevitavelmente condenada a cair e prometem tomar medidas para combater a inflação e mitigar o seu impacto.

A subida dos preços da energia agravada pela invasão empurrou a inflação na zona euro para um recorde de 9,1% em agosto e obrigou a baixar as previsões de crescimento para os 19 países, a ponto de o BCE antecipar uma recessão no caso de um corte total do gás russo.

Relacionadas

Energia: Medina defende que escalada dos preços “não se resolve com taxas”

“A questão dos preços da energia não é resolvida com taxas”, disse Fernando Medina, em declarações à chegada ao segundo dia de uma reunião informal dos ministros das Finanças da União Europeia, no âmbito da presidência checa do Conselho, em Praga.

Portugal admite juntar-se a cinco países para tributação mínima às empresas avançar na UE

França, Espanha, Itália, Alemanha e Holanda apresentaram na sexta-feira uma posição conjunta para avançar, perante falta de consenso, com cooperação reforçada para resolver o bloqueio da Hungria à aplicação, na UE, da tributação mínima de 15% sobre os lucros das empresas de maior dimensão a aplicar em 2023.

Zona euro reconhece risco de recessão, mas promete medidas

Os governos da zona euro admitem que a guerra na Ucrânia aumentou o risco de recessão, mas descartam que a economia esteja inevitavelmente condenada a cair e prometem tomar medidas para combater a inflação e mitigar o seu impacto.
Recomendadas

Excendente orçamental melhora para 2,3 mil milhões de euros em agosto

Este valor representa uma melhoria de 9.211 milhões de euros em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o comunicado do Ministério das Finanças.

Banco Nacional de Angola desce juros, em contraciclo com os outros bancos centrais

O comité que decide a política monetária angolana justificou a descida dos jurps com a “consistência do abrandamento da evolução de preços na economia nacional, particularmente desde o início do ano, como resultado do contínuo e rigoroso controlo da liquidez, da apreciação do kwanza em relação às principais moedas utilizadas nas transacções com o exterior”.

CAP contesta que tese de que subsídios dados aos agricultores sejam “perversos”

“A temática da água, do seu bom uso e utilização como recurso, é um assunto levado muito a sério pelos agricultores e demasiado importante para se subordinar a declarações falsas e difamatórias de um único responsável”, refere a confederação em resposta a Joaquim Poças Martins.
Comentários