Bulgária: eleições longe de resolverem crise política

Acusado de corrupção, o GERB voltou a ganhar as eleições e arrisca manter o país ingovernável. A única forma de ultrapassar o impasse seria um governo de coligação entre os dois maiores partidos, mas isso não parece estar no horizonte.

O GERB, partido de centro-direita europeísta, venceu as eleições parlamentares da Bulgária, de acordo com resultados parciais mas praticamente fechados: contados 99% dos voto, o partido do ex-primeiro-ministro Boyko Borissov tem 25,4% dos votos.

O partido centrista e anticorrupção Nós Continuamos a Mudança (PP) ficou em segundo lugar, com 20,2% dos votos naquela que foi a quarta eleição nacional na Bulgária em menos de dois anos. Os resultados oficiais finais só serão conhecidos na próxima quinta-feira, após a contagem dos votos do exterior.

O GERB, que enfrentou acusações de permitir a corrupção generalizada na Bulgária, enfrentará claras dificuldades para formar uma coligação que possa governar o país sem sobressaltos. Ou seja, os problemas por que o país passou nos últimos dois anos não vão ficar resolvidos – dada a pulverização dos votos. As eleições antecipadas do domingo passado ocorreram depois de a frágil coligação liderada por Kiril Petkov, do Nós Continuamos a Mudança, ter perdido um voto de desconfiança parlamentar em junho passado. Petkov já disse antecipadamente que se recusaria a governar com Borissov – pelo que um governo com os dois maiores partidos está, à partida, fora de causa – ao não ser que, como dizem alguns observadores, os riscos económicos no país mais pobre da União Europeia e a pressão da guerra na Ucrânia os aproxime.

Esta é a terceira eleição parlamentar antecipada desde 2021, uma situação sem precedentes na história búlgara, sendo as anteriores realizadas em abril, julho e novembro.

Nas eleições de novembro, o PP alcançou uma inesperada vitória, com 25% dos votos. Kiril Petkov formou um governo de coligação com três outros partidos o Coligação para a Bulgária (BSPzB), o Há este Povo (ITN) e o Bulgária Democrática (DB). Mas o ITN retirou-se pouco depois.

Em terceiro lugar nas eleições de domingo ficou o Movimento pelos Direitos e Liberdades (DPS), centrista e com o apoio tradicional de comunidades de minorias étnicas, nomeadamente turcas (com 13,8%).

Recorde-se que a Bulgária passou por uma onda de turbulência política no verão de 2020, depois de protestos anticorrupção terem provocando o fim do domínio de quase uma década do ex-primeiro-ministro Boyko Borissov. O país arrisca-se a continuar o período de crise que então se abriu.

Recomendadas

Mundial2022: Qatar condena campanha “infundada” em resposta a críticas do PE

O Qatar condenou a resolução adotada na semana passada pelo Parlamento Europeu (PE) criticando a sua escolha como sede do Mundial de futebol em curso e denunciou uma campanha “infundada” assente em “acusações falsas e informação enganosa”.

Covid-19: Human Rights Watch pede respeito pelos direitos de manifestantes na China

A Human Rights Watch defendeu hoje que o Governo chinês deve respeitar os direitos de todos aqueles que protestam pacificamente contra as restrições no combate à pandemia de covid-19.

Sociedade civil são-tomense pede investigação internacional a “triste episódio” com quatro mortos

A sociedade civil são-tomense pediu hoje aos parceiros de cooperação uma “investigação internacional urgente” sobre o “triste episódio” do ataque ao quartel militar, na sexta-feira, em que morreram quatro pessoas, alegadamente após “agressão e tortura”.
Comentários