Bulgária, próxima presidente da UE, quer os Balcãs novamente na agenda política

Búlgaros acrescentam o tema à agenda normal da União, na tentativa de criarem condições de adesão para os países que a quiserem. Para que os acontecimentos de há 20 anos não se repetirem.

A Bulgária, que assumirá a 1 de janeiro a presidência do Conselho da União Europeia (substituindo a Estónia) pela primeira vez desde que se juntou ao ‘clube’ há dez anos, estabeleceu como uma das suas prioridades recuperar a atenção europeia para os Balcãs Ocidentais, segundo disse ontem em Madrid o embaixador búlgaro Ivan Kondov em Espanha, citado pelas agências internacionais.

Kondov, que estava acompanhado pela assessora política da Embaixada, Elisaveta Simeonova, disse que a presidência búlgara estabeleceu quatro objetivos a desenvolver: segurança e estabilidade; a economia digital; políticas de coesão e os Balcãs.

Só os Balcãs não se encontram na agenda ‘normal’ da União Europeia, mas este acrescento é fundamental para um país que faz fronteira com a região mais instável da Europa (possivelmente mesmo quando comparada com a Ucrânia) e que sofre inevitavelmente com os efeitos colaterais (quando são apenas colaterais) dessa instabilidade.

A memória dos europeus tende a ser curta e os acontecimentos que ali se registaram quando a Jugoslávia foi dissolvida é uma das páginas mais negras da história recente da Europa. Mas também da União Europeia, que entregou aos norte-americanos e ao seu presidente de então, Bill Clinton, a função de pacificador – quando todas as questões ali em confronto eram, e continuam a ser, profundamente europeias.

Sobre esta questão, Kondov anunciou a realização de uma Cimeira de Chefes de Estado e de Governo sobre os Balcãs Ocidentais, que deverá ter lugar nos dias 17 e 18 de maio em Sófia, na tentativa de que a União Europeia volte a preocupar-se com a região, “porque – recordou – depois de tudo o que ali aconteceu há vinte anos, ficou agora fora de foco, enquanto que os problemas profundos persistem”.

O embaixador insistiu que, se a UE prestar mais atenção aos países dos Balcãs que quiserem juntar-se ao agregado, isso será um incentivo para que possam realizar as reformas económicas, políticas ou jurídicas que são necessárias para atingir esse objetivo. No entanto, reconheceu que a situação de cada um desses países que ainda não faz parte da UE – Sérvia, Montengro, Macedónia, Albânia, Bósnia e Turquia – é diferente.

No domínio da imigração, que tem muito a ver com os Balcãs, a Bulgária considera positivos os acordos de parceria com os países da África subsaariana e defenderá que eles se estendam aos países da Ásia Central e do Médio Oriente, que têm fluxos migratórios significativos para os Balcãs Ocidentais.

O primeiro-ministro búlgaro, Boyko Borissov, vai encontrar-se em breve com a sua homóloga britânica, Theresa May.

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