Buscas às SAD do Boavista e do Gafanha fazem sete arguidos

A Procuradoria Geral da República (PGR) revela que no âmbito da operação de buscas realizada nesta quarta-feira, 18 de dezembro, a duas Sociedades Anónimas Desportivas (SAD) – do Boavista e do Gafanha da Nazaré – foram constituídos sete arguidos, seis pessoas e uma empresa. O JE sabe que entre os arguidos está Vitor Murta, presidente do Boavista.

Em causa está um  inquérito que investiga suspeitas de fraude fiscal e branqueamento e que envolve uma empresa de organização de eventos que terá utilizado a SAD do Boavista para se eximir ao pagamento de impostos, recorrendo a operações financeiras de facturação falsa com vista a vantagem patrimonial de milhões de euros.

“No âmbito de inquérito a correr termos no DIAP da Procuradoria da República do Porto (Porto, 12.ª secção), em que se investiga a prática de factos susceptíveis de integrar os tipos legais de crime de fraude fiscal qualificada e de branqueamento de capitais, foram determinadas e hoje realizadas 10 buscas domiciliárias e 13 buscas não domiciliárias, envolvendo, além do mais, escritórios de advogados, sociedades desportivas e cofres bancários”, revela a PGR em comunicado.

Segundo a PGR, as buscas decorreram nos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Trofa, Famalicão, Guimarães, Fafe, Matosinhos e Aveiro.

“Está em causa, quanto ao objecto do processo, além do mais, a canalização para sociedade desportiva de quantias monetárias obtidas por sociedade comercial, tudo contornando o circuito tributário através de expedientes diversos”, explica a PGR, dando conta de que no inquérito não houve detenções, mas foram constituídos sete arguidos, dos quais uma pessoa coletiva e seis pessoas singulares.

No terreno estiveram hoje 80 elementos da PJ e da AT para recolha de documentação relativa a simulação de operações financeiras com facturação falsa para ocultação de proveitos que envolve uma empresa de organização de eventos, segundo avançou o JE ao início desta tarde.

Fonte próxima ao processo avançou ao JE sabe que estas SAD terão sido instrumentalizadas e não são os alvos da investigação. As autoridades investigam a empresa externa que utilizou estas SAD nas operações fraudulentas, tendo a PJ realizado buscas para recolha de documentação.

O clube de futebol do Boavista já reagiu à situação e afirma que “a constituição de arguido serve para melhor acompanhar e colaborar com todo o processo e assim se defender e ao clube” e sublinha “que as buscas não visam nenhum dirigente nem quadro do Boavista”.

A TVI avançou, por sua vez, que a casa do antigo presidente do Boavista João Loureiro está a ser alvo de buscas.  Segundo a mesma estação televisiva, João Loureiro está ligado a Paulo Silva, o proprietário da empresa Fun Addict, que presta serviços de ativação de patrocínios em jogos da Liga, Taça da Liga e Supertaça. Mas fontes próximas ao processo adiantaram que não foram realizadas buscas à casa de João Loureiro.

 

PJ identifica “vantagem patrimonial de milhões de euros”

Ao final da manhã desta quarta-feira, 18 de dezembro, Polícia Judiciária (PJ) avançou, em comunicado, que já identificou uma vantagem patrimonial “de milhões de euros.

Em comunicado, a PJ avançou que que, através da Diretoria do Norte, em colaboração com a Inspeção Tributária da Direção de Finanças do Porto, no âmbito de inquérito titulado pelo Ministério Público – DIAP Porto 12.ª Secção, “realizou uma operação policial para cumprimento de mandados de buscas domiciliárias e não domiciliárias, pela presumível prática de crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento”.

De acordo com o apurado até ao momento pela investigação, explica a PJ, “ em causa estará a não entrega da prestação tributária devida, e a sua subsequente ocultação através do desenvolvimento de atividade empresarial relacionada com a realização e gestão de eventos desportivos”.

A PJ dá conta de que os suspeitos envolvidos serviam-se de diferentes ferramentas, entre os quais a utilização de faturação falsa emitida por empresas nacionais e estrangeiras e a ocultação de proveitos.

“Para o branqueamento foram usados mecanismos como a aquisição de bens móveis e imóveis por sociedades exclusivamente constituídas para o efeito, assim como o investimento em organizações desportivas, com conluio de agentes desportivos.”, acrescenta o comunicado. E realça que para concretizarem as atividades ilícitas referidas os suspeitos recorreram a aconselhamento jurídico e técnico especializado, sinalizando que até à presente data “foi identificada uma vantagem patrimonial de milhões de euros”.

 

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