Business Roundtable lança ‘cowork’ internacionais

Grupo que junta as maiores empresas nacionais vai disponibilizar espaços de ‘cowork’ no estrangeiro, para apoiar a internacionalização das PME portuguesas.

As empresas da Associação Business Roundtable Portugal (BRP) vão disponibilizar espaços de cowork em duas dezenas de países para pequenas e médias empresas, como parte de um acordo que determina a criação de uma rede internacional de locais de acolhimento.

A iniciativa integra um leque de ideias que constam de um acordo concertado na quarta-feira, dia 16, pela BRP e a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, num evento em que três dessas medidas conheceram a luz do dia.

Com a ambição de tornar Portugal mais competitivo no mercado global, o protocolo prevê a concretização de projetos e iniciativas pragmáticas para apoiar, acelerar e fortalecer as competências de internacionalização de profissionais e das PME sediadas em território português.

“Vamos avançar já com essas três, porque não vale a pena marcar mais do que três golos na primeira parte”, disse Filipe de Botton, CEO da Logoplaste, membro da BRP e, também, autor das iniciativas.

Sobre os espaços de cowork no exterior, a ideia visa, sobretudo, promover a criação de condições de internacionalização. “Imagine que uma empresa quer ir para os EUA. A Logoplaste tem um escritório em Chicago e pode ceder um espaço para uma empresa por três, seis meses ou mesmo um ano”, explicou.

Até ao momento, já foram disponibilizados meia centena de espaços em 20 países.

“Não é só um espaço onde vem amanhã, instala-se e faz o seu trabalho. Não é só uma secretária. Se precisar de saber como se inscreve na Segurança Social, os nossos recursos humanos daquela localização pode ajudar. Se precisa de um advogado, podemos dizer com quem trabalhamos. Ou comprar uma máquina fotocopiadora, podemos ajudar”, continuou o mesmo CEO.

O INOV-Contacto faz parte da equação, por meio da disponibilização de 25 estágios internacionais do programa financiado por fundos comunitários.

Apesar de a AICEP assegurar já outros 250 programas de estágio, os 25 em questão receberão financiamento de empresas da BRP, não obstante a seleção e gestão do programa ser da competência do AICEP.

O CEO da Logoplaste adianta que, até ao momento, onze empresas da BRP já se predispuseram para aceitar os estagiários internacionais.

“Por isso, vamos desde já criar, no mínimo, 25 estágios nas nossas empresas. Juntando mais 10% aos fundos comunitários que já aqui estão aplicados” no INOV-Contacto.

Entre as novidades está uma iniciativa que visa a partilha de estratégias entre líderes empresariais, conforme explica Filipe de Botton – as “Conversas CEO com CEO”.

No âmbito do protocolo, os 42 diretores-executivos das empresas da BRP comprometeram-se a disponibilizar anualmente entre duas e três horas para reuniões com CEO de pequenas e médias empresas que pretendam seguir o caminho da internacionalização ou exportações, sempre ao nível de CEO.

“Servirá para os CEO partilharem estratégias, dificuldades, angústias. E é meio caminho andado para evitar erros que já foram cometidos no passado, com dicas, sugestões”, detalhou Filipe de Botton, esclarecendo que as PME que queiram participar nas reuniões deverão por um filtro alinhavado pela AICEP, baseado em critérios que avaliam o propósito do encontro ou para evitar incompatibilidades de concorrência.

Ainda este ano, o projeto-piloto irá dar os primeiros passos com 20 CEOs/Presidentes de Associados do BRP, estando prevista a vigência do mesmo no próximo ano.

“Um matching de mercado”. Foram estas as palavras encontradas por Luís Castro Henriques, presidente do AICEP, para catalogar a iniciativa. O dirigente não tem dúvidas de que o lugar de topo numa empresa “é muito solitário” e que, nas PME, “ainda há menos parceiros para fazer estas conversas”, um para um.

“Em Portugal, fazemos muitos estudos, mas fazer acontecer fica para segundo plano. E é mais fácil ter as ideias do que pô-las em prática”, explicou Filipe de Botton na apresentação do protocolo.

As medidas foram dadas a conhecer numa altura em que os números das exportações se revelam muito animadores, conforme fez saber Luís Castro Henriques – que se encontra prestes a terminar o seu mandato – durante a assinatura do protocolo.

Ainda este ano, as exportações portuguesas deverão, pela primeira vez, ultrapassar, e nas estimativas mais conservadoras”, os 100 mil milhões de euros, uma percentagem do PIB acima dos 44%.

“Está a correr bem, mas o desafio aumenta. Se já passamos dos 100 mil milhões , então vamos pensar nos 200 mil milhões de euros”, afirmou, acrescentando que “só as exportações de bens ficam acima de 70 mil milhões de euros” este ano, quase o dobro face ao registado em 2010.

“E a estimativa do crescimento global das exportações é de pelo menos 15%. Há números que apontam para entre 15 e 30%. Mesmo utilizando os 15% de crescimento vai apontar para um valor acima dos 45% do PIB”, continuou.

“Isto indica que, apesar da pandemia, da disrupção das cadeias de abastecimento e das circunstâncias atuais [a guerra na Ucrânia], as empresas portuguesas, que sofrerem um choque transversal, conseguem manter a sua competitividade. As exportadoras estão de parabéns”, rematou Castro Henriques.

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