Bye bye yuppies!

Este é o momento de nos (re)inscrevermos ou colaborarmos com partidos políticos e movimentos cívicos tolerantes. Os radicais e populistas estão mobilizados e a capitalizar descontentamentos.

Se um alienígena aterrasse hoje no Planeta Terra e presenciasse este clima negativo que corre nos jornais, noticiários e redes sociais, ficaria com a impressão de que a humanidade está em decadência absoluta. Mas bastaria sentar-se cinco minutos e consultar alguns sites e livros para ficar verdadeiramente perplexo. Os números não só não explicam o clima negativo como demostram uma evolução surpreendentemente positiva!

A pobreza extrema no mundo tem vindo a reduzir em termos percentuais e absolutos. Apesar de existirem mais dois mil milhões de pessoas desde 1990, há menos mil milhões de pessoas em situação de pobreza extrema. Milhões de pessoas na Ásia acederam à classe média. A esperança média de vida no mundo tem vindo a subir ano após ano, sendo de destacar que as regiões com esperança média de vida mais baixa têm-se aproximado das regiões com esperança média de vida mais alta.

O montante de ajuda externa oficial dos países ricos atingiu o pico de 133,8 mil milhões de dólares em 2013. Havia 10 regimes democráticos em 1900, 63 em 1990 e 87 em 2009. O Acordo de Paris foi aprovado a 12 de dezembro de 2015 – um tratado histórico que levará à redução efetiva de emissões de dióxido de carbono a partir de 2020, numa primeira tentativa séria de combater as alterações climáticas.

Apesar de alguns problemas sérios que temos de enfrentar, como a recente crise económica e financeira, o fraco crescimento económico nas economias desenvolvidas, o aumento da desigualdade na distribuição de riqueza, a desvalorização do fator trabalho decorrente da revolução tecnológica, o crescimento recente do terrorismo, de conflitos armados localizados e do extremismo religioso, o mundo está objetivamente muito melhor hoje do que alguma vez esteve.

Porém, é igualmente objetivo que a maioria dos regimes democráticos ocidentais estão sob pressão de fenómenos populistas de esquerda e de direita. Os tradicionais partidos de matriz moderada e social-democrata perderam o seu título de “partidos de poder”. A recente vitória de Trump nas eleições americanas foi a gota de água! Quaisquer que sejam as causas desta crise social e de valores, urge tomar consciência da gravidade da situação e passar rapidamente à ação.

Assim, aqueles que numa posição de conforto económico se distanciaram de qualquer intervenção política e social desde o Maio de 68 ou a queda do Muro de Berlim, mas que ainda sonham que os seus filhos e netos vão viver num mundo de paz e prosperidade; os millennials que ficaram chocados com o Brexit e com a vitória de Trump mas que raramente votam; qualquer pessoa moderada e com um mínimo de objetividade e racionalidade; todos devem decorar os factos estatísticos acima referidos – e outros mais relevantes ou oportunos – e repeti-los até à exaustão em todas as esquinas, no trabalho, nas conversas com amigos e em família.

Estamos em plena guerra ideológica. Numa cruzada contra a irracionalidade, contra a emotividade ignorante, contra a desinformação, contra o individualismo, contra o nacionalismo e contra o racismo e a xenofobia. Este é o momento de nos (re)inscrevermos ou colaborarmos com partidos políticos e movimentos cívicos tolerantes. Os radicais e populistas estão mobilizados e a capitalizar descontentamentos. Porém, os moderados, os intelectuais, os social-democratas estão, na sua maioria, resignados, numa atitude de “divã” ou de treinador de bancada, a ver o mundo ruir.

Acabou-se a era dos yuppies. Voltemos aos tempos de intervenção, antes que seja tarde demais.

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