Cabaz de alimentos custa mais 205 euros por mês

A Deco Proteste alerta nesta sexta-feira, 3 de junho, que abastecer a despensa com bens alimentares essenciais pode hoje custar mais de 205 euros. O cabaz de alimentos que é monitorizado semanalmente por esta organização de defesa do consumidor é atualmente 22 euros mais caro do que no final de fevereiro, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia.

José Coelho/Lusa

O preço do cabaz de bens alimentares essenciais registou uma subida de 0,53% (mais 1,07 euros) entre 25 de maio e 1 de junho, passando a custar um total de 205,98 euros. O alerta é da Deco Proteste que destaca, nesta sexta-feira, 3 de junho, que desde que iniciámos esta análise, a 23 de fevereiro, um dia antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, o preço do mesmo cabaz já aumentou 12,18%, ou seja, 22,35 euros. O peixe e a carne são os produtos com maiores aumentos registados.

A Deco Proteste começa por explicar que, desde fevereiro, tem monitorizado todas as quartas-feiras, com base nos preços recolhidos no dia anterior, os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

“Começamos por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do nosso simulador em que se encontra disponível, e depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtemos o custo do cabaz para um determinado dia”, detalha a entidade. Esta análise, conclui, tem revelado aumentos quase todas as semanas, “com alguns produtos a registarem subidas de preços de dois dígitos de uma semana para a outra”.

Na última semana, prossegue, entre 25 de maio e 1 de junho, os dez produtos com maiores subidas de preço foram os douradinhos de peixe (mais 11%), os medalhões de pescada (mais 10%), o carapau (mais 9%), os flocos de cereais (mais 9%), a farinha para bolos (mais 9%), o arroz carolino (mais 8%), as ervilhas ultracongeladas (mais 6%), os cereais integrais (mais 6%), a batata (mais 6%) e a couve-flor (mais 5 por cento).

Segundo a Deco Proteste, se se analisar exclusivamente as categorias de produto com maiores subidas de preços, entre 23 de fevereiro, véspera da invasão da Ucrânia pela Rússia, e 1 de junho, o peixe e a carne são as que mais se destacam, com incrementos percentuais de 19,07% e 14,91%, respetivamente.

Dependência de mercados externos na base de aumentos de preços

A Deco Proteste recorda que Portugal “está altamente dependente dos mercados externos para garantir o abastecimento dos cereais necessários ao consumo interno”. Atualmente, diz, estes representam apenas 3,5% da produção agrícola nacional — sobretudo milho (56%), trigo (19%) e arroz (16 por cento).

“E se no início da década de 90 a autossuficiência em cereais rondava os 50%, atualmente, o valor não ultrapassa os 19,4%, uma das percentagens mais baixas do mundo e que obriga o País a importar cerca de 80% dos cereais que consome”, acrescenta, concluindo que a invasão da Rússia à Ucrânia, de onde provém grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, e em Portugal, “veio pressionar ainda mais um sector há meses a braços com as consequências de uma pandemia e de uma seca com forte impacto na produção e na criação de stocks”.

Esta entidade destaca ainda que a limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia, necessária à produção agroalimentar, “podem, por isso, estar a refletir-se num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal”.

No peixe, diz, a subida dos preços poderá estar a refletir o aumento dos preços dos combustíveis, que tem um elevado impacto na indústria da pesca.

A Deco Proteste recorda ainda que os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor, nomeadamente em produtos como os combustíveis e a alimentação, estão a contribuir para um aumento da taxa de inflação que, segundo o INE, acelerou para 8% em maio deste ano – novo recorde em máximos de 1993 -, contra 7,2% em abril.

A energia continua a ser a componente mais elevada, estando os produtos alimentares a acompanhar a tendência. O INE estima que a taxa de variação homóloga do índice relativo aos produtos energéticos se situe em 27,2% (26,7% no mês precedente), valor mais alto desde fevereiro de 1985, enquanto o índice referente aos produtos alimentares não transformados terá apresentado uma variação de 11,7% (9,4% em abril).

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