Cabo Verde Airlines ainda não pagou salários de dezembro

A administração da transportadora aérea cabo-verdiana Cabo Verde Airlines (CVA) adiantou este domingo à agência Lusa que ainda não pagou os salários do mês de dezembro, alegando “razões alheias à companhia” que não especificou.

Em comunicado enviado à Lusa, o presidente da CVA, Jens Bjarnason, confirma o atraso no pagamento dos salários de dezembro, por norma liquidados no início do mês.

“A Cabo Verde Airlines lamenta não ter pagado os salários de dezembro aos seus colaboradores antes do Natal”, refere a mesma nota oficial.

Acrescenta que o pagamento dos salários de dezembro depois do Natal “já ocorreu anteriormente” e que a “companhia fez as diligências necessárias para assegurar os pagamentos antes do Natal”.

“Mas os mesmos não se concretizaram por razões alheias ao controlo da companhia. A administração lamenta os efeitos que esta situação causou aos seus trabalhadores dedicados”, lê-se na declaração de Jens Bjarnason.

Acrescenta que a Cabo Verde Airlines “irá honrar as suas obrigações contratuais de pagar os salários de dezembro antes do final do mês” e que “qualquer desvio de tais obrigações será, certamente, comunicado aos funcionários com antecedência”.

Em março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da então TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde) por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, uma empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação. Foi ainda prevista a venda de 10% da companhia a trabalhadores e emigrantes e os 39% restantes por outros investidores.

Para o Governo cabo-verdiano, a alternativa à privatização seria a sua liquidação, a qual custaria mais de 181 milhões de euros.

Segundo o primeiro-ministro cabo-verdiano, em entrevista à Lusa em julho passado, o conceito encontrado, e que prevê o denominado ‘hub’ do Sal, “cria viabilidade” para a companhia, que antes da privatização, disse ainda, representava um “buraco mensal”, para o Estado, de três milhões de euros.

“Você não conhece nenhum país do mundo com 500.000 habitantes e um PIB ‘per capita’ de 4.000 dólares com um Boeing [situação anterior da TACV]. Não tem escala, dimensão e rendimento. O grande problema da TACV era o mercado. O ‘hub’ [do Sal] vem criar mercado, é um mercado de milhões, no Brasil, na Europa, na América e em África”, apontou Ulisses Correia e Silva.

A Cabo Verde Airlines aumentou para quase 200.000 os passageiros transportados nos primeiros oito meses, após o processo de privatização, e traduzem-se num crescimento de 85,4% do total de passageiros transportados, face ao mesmo período de 2018.

Entre março e outubro de 2018, a então TACV transportou 107.027 passageiros, enquanto que em igual período deste ano, a agora Cabo Verde Airlines registou 198.457 passageiros.

A frota atual da companhia é composta por três Boeing 757-200, garantindo ligações do arquipélago para Dacar, Lisboa, Paris, Milão, Roma, Boston, Fortaleza, Recife e Salvador, com a Cabo Verde Airlines a prever reforçar a frota com dois Boeing 757-200 adicionais.

A Lusa noticiou anteriormente que a Cabo Verde Airlines prevê faturar quase 82 milhões de euros este ano, valor que espera quintuplicar até 2023, para 422 milhões de euros, segundo as projeções da companhia aérea, conforme informação institucional preparada no âmbito da venda de 7,65% do capital social aos emigrantes, que está em curso.

De acordo com os mesmos dados, a administração da CVA prevê faturar mais de 9.015 milhões de escudos (81,9 milhões de euros) em 2019, valor que deverá subir para 23.473 milhões de escudos (213,2 milhões de euros) em 2020 e para mais de 46.450 milhões de escudos (422 milhões de euros) em 2023.

A previsão da companhia para o EBIDTA (resultado líquido de impostos e que serve para aferir a competitividade e eficiência de uma empresa) ainda é negativo para 2019, em 3.485 milhões de escudos (31,6 milhões de euros). Contudo, a partir de 2020, a previsão é que chegue a valores positivos, começando em 914 milhões de escudos (8,3 milhões de euros) e até 3.491 milhões de escudos (31,7 milhões de euros), em 2023.

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