Cabo Verde não está a aproveitar o acordo comercial com os EUA

Cabo Verde ainda não conseguiu aproveitar as oportunidades da Lei de Oportunidade e Crescimento de África (AGOA, na sigla inglesa), que visa aumentar e diversificar as trocas comerciais entre os Estados Unidos e a África Subsariana, disse hoje a embaixadora americana. Adrienne O’Neal, que falava à imprensa, na Cidade da Praia, após a abertura do […]

Cabo Verde ainda não conseguiu aproveitar as oportunidades da Lei de Oportunidade e Crescimento de África (AGOA, na sigla inglesa), que visa aumentar e diversificar as trocas comerciais entre os Estados Unidos e a África Subsariana, disse hoje a embaixadora americana.

Adrienne O’Neal, que falava à imprensa, na Cidade da Praia, após a abertura do seminário subordinado ao tema “As Oportunidades e Desafios de Fazer Negócio com os EUA”, salientou que Cabo Verde tem uma vasta gama de produtos que podem ser exportados para os Estados Unidos através da AGOA.

A diplomata apontou como exemplos o café, o grogue (aguardente cabo-verdiana), produtos artesanais e agrícolas, mas alertou que ainda falta identificá-los e prepará-los, bem como regularizar o processo de exportação.

“Até agora, a AGOA não está muito bem aproveitada em Cabo Verde e essa é exatamente a razão pelo qual estamos a organizar esta reunião, em que se vai estimular e explicar melhor as regras e condições que deverão conduzir a um maior aproveitamento deste instrumento em Cabo Verde”, salientou a diplomata.

Por seu lado, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Maria de Jesus Miranda, realçou que é preciso encontrar formas práticas e operacionais para agilizar o referido acordo, sobretudo com um país onde a comunidade cabo-verdiana é “bem sucedida e apta” para consumir e promover os produtos “made in Cabo Verde”

O presidente da Câmara de Comércio de Sotavento, Jorge Spencer Lima, realçou, por sua vez, a necessidade de se apostar na certificação e na qualidade dos produtos “made in Cabo Verde” e na industrialização, com os olhos na exportação.

Spencer Lima destacou que a certificação e a qualidade dos produtos “made in Cabo Verde” constituem “fragilidades”, dando como exemplo o caso do grogue – que classificou como “bizarro” -, que entrou no mercado norte-americano não como produto nacional mas sim como rum.

Spencer Lima realçou que a certificação é igualmente importante para a entrada no mercado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), de 300 milhões de potenciais clientes, de onde se importa mas não se exporta, pelo que apelou a um maior investimento na industrialização de Cabo Verde.

A AGOA é um acordo comercial aprovado pelos Estados Unidos em 2000 e que visa aumentar o volume e a diversidade do comércio dos EUA com a África Subsariana, onde Cabo Verde se insere.

Embora o comércio atual entre os EUA e a África Subsariana esteja focado no petróleo e minérios, a troca tem vindo a diversificar-se, integrando já viaturas, joias, confeções, frutas e legumes, vinhos, especiarias, frutas.

OJE/Lusa

Recomendadas

Presidente do governo catalão vai continuar a governar apesar de fim de coligação

“Não abandono os cidadãos em momentos tão complicados como o atual”, disse Pere Aragonès, que se referia à crise gerada pela guerra na Ucrânia e pelo aumento de preços.

Comissão eleitoral da Bósnia-Herzegovina investiga alegadas irregularidades eleitorais

Dodik, o mais poderoso líder sérvio bósnio desde 2006, negou as alegações.