Cabo Verde pede apoio internacional para 90 migrantes que chegaram à Boa Vista

A Alta Autoridade para a Imigração (AAI) cabo-verdiana pediu formalmente o apoio da Organização Internacional para as Migrações para assistência aos 90 sobreviventes africanos que deram à costa na Boa Vista numa piroga, foi hoje anunciado.

De acordo com informação da autarquia da Boa Vista, o presidente da Câmara, Cláudio Mendonça, recebeu esta terça-feira a direção da AAI, tendo sublinhado as necessidades de apoio a estes migrantes, que deram à costa este mês, na zona do farol de Morro Negro, na zona norte da ilha.

Cláudio Mendonça alertou para as despesas avultadas que o município está a suportar com a assistência humanitária, além da ausência de um espaço para apoiar em situação desta natureza, que começam a ser recorrentes na Boa Vista.

De acordo com a presidente da AAI, Carmem Furtado, já foi submetido um pedido à Organização Internacional para as Migrações para ajudar o país a suportar os custos relacionados com a assistência destes migrantes, até que seja concluído o processo de repatriamento.

Uma piroga com 92 migrantes africanos, dois dos quais já cadáveres, deu à costa em 14 de janeiro na ilha da Boa Vista, disse na altura à Lusa o presidente da Câmara local.

“Morreram praticamente na costa. Foi uma situação dramática”, relatou o autarca de Boa Vista, Cláudio Mendonça, indicando que a embarcação terá partido da Gâmbia em 24 de dezembro, com destino a Espanha.

“Perderam-se entre Marrocos e a Mauritânia, ficaram sem combustível e acabaram por vir dar à costa da Boa Vista”, explicou ainda.

Segundo o levantamento feito pela Câmara da Boa Vista, contam-se entre os migrantes 56 senegaleses, 26 nacionais da Gâmbia, cinco da Guiné-Bissau, um da Serra Leoa, um da Guiné-Conacri e um do Mali.

Dos 90 imigrantes resgatados, 15 são menores, com idades compreendidas dos 14 aos 17 anos, 81 foram colocados no Pavilhão Municipal Seixal, Sal Rei, Boa Vista, e nove, incluindo as únicas três mulheres do grupo, tiveram de receber tratamento médico.

“Tem sido uma logística muito difícil, estamos a trabalhar todos em conjunto, serviços da proteção civil, polícia, população e até hotéis, que nos estão a ajudar”, descreveu o autarca à Lusa.

“É algo crítico, porque há menos de três meses tivemos a mesma situação. Em mais de três meses são mais de uma centena de migrantes a darem à costa da Boa Vista. É preciso olhar para isto”, apelou o autarca.

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