Cabo Verde. Preços voltam a aumentar em outubro com inflação em 8,2% num ano

De acordo com o mais recente Índice de Preços no Consumidor (IPC), elaborado pelo INE, esta variação mensal – em outubro foi idêntica aos 0,4% do mês anterior – tem vindo a desacelerar, já que em setembro ficou 0,1 ponto percentual abaixo do registado em agosto, que então foi de 0,7 pontos abaixo do verificado em julho.

Lusa

Os preços em Cabo Verde aumentaram 0,4% no mês de outubro e acumulam uma subida de 8,2% no espaço de um ano, indicam dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) cabo-verdiano.

De acordo com o mais recente Índice de Preços no Consumidor (IPC), elaborado pelo INE, esta variação mensal – em outubro foi idêntica aos 0,4% do mês anterior – tem vindo a desacelerar, já que em setembro ficou 0,1 ponto percentual abaixo do registado em agosto, que então foi de 0,7 pontos abaixo do verificado em julho.

“A taxa de variação homóloga do IPC total, no mês de outubro de 2022, foi de 8,2%, valor inferior em 0,5 pontos percentuais ao registado no mês anterior”, lê-se no relatório do INE.

O IPC acumulado a um ano em setembro foi assim de 8,7%, descendo em outubro, segundo o indicador do INE.

Ainda até outubro, o IPC registou uma variação média nos últimos 12 meses de 7,5%, valor superior em 0,4 pontos percentuais ao verificado em setembro.

A escalada de preços em Cabo Verde deverá fechar 2022 com um aumento médio global de quase 8% e reduzir para menos de metade no próximo ano, segundo as previsões do Governo cabo-verdiano.

Nos documentos de suporte à proposta de lei do Orçamento do Estado para 2023, noticiados anteriormente pela Lusa, o Governo cabo-verdiano admite que “os níveis de preços deverão permanecer elevados, acelerando de 1,9% em 2021 para 7,9% em 2022”, o valor mais alto em 25 anos.

“Já para 2023, espera-se que reduza para 4% [3,7%, segundo o detalhe da proposta], refletindo a redução da inflação importada dos principais parceiros comerciais de Cabo Verde”, lê-se no documento.

Acrescenta que as classes de bens e serviços “com mais intensidade no crescimento dos preços” em 2022 são os produtos alimentares e as bebidas não alcoólicas, “sendo um risco para a segurança alimentar, sobretudo para as famílias de menor rendimento”, bem como a habitação, a água, a eletricidade, o gás e os outros combustíveis e os transportes, “derivado sobretudo dos efeitos da inflação importada”.

“Nesta senda, o poder de compra dos agentes económicos, sobretudo dos mais vulneráveis, será altamente afetado, o que pode exigir uma maior intervenção do Estado para garantir o equilíbrio social”, admite o Governo, na proposta orçamental para 2023.

Antes dos efeitos da crise inflacionista atual e apesar da pandemia de covid-19, Cabo Verde registou uma taxa de inflação mínima histórica de 0,6% em 2020, e de 0,8% em 2017.

Na proposta do Orçamento do Estado de Cabo Verde para 2023, aprovado na generalidade no parlamento em 11 de novembro, está prevista uma atualização do salário mínimo nacional, que passará de 13.000 para 14.000 escudos (117 para 126 euros) em 2023 e aumentos salariais de 1 a 3,5% para funcionários públicos e pensionistas com rendimentos mais baixos.

De acordo com o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, os salários na função pública e as pensões dos pensionistas do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) de 15.000 a 33.000 escudos (135 a 296 euros) mensais vão aumentar 3,5% em 2023, acima de 33.000 escudos e até 51.000 escudos (296 a 458 euros) vão aumentar 2% e de 51.000 escudos até 69.000 escudos (458 a 619 euros) vão subir 1%.

“Devemos proteger nesta fase os rendimentos mais baixos de forma direta e os rendimentos mais altos são protegidos de forma indireta através das medidas que estamos a tomar para travar a subida galopante dos preços”, esclareceu.

O arquipélago enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística – sector que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago – desde março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

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