Caixa BI sobe avaliação da Greenvolt para mais de mil milhões de euros

O Caixa BI emitiu uma nota sobre a Greenvolt onde sobe o preço-alvo de 7,5 euros para 8,60 euros, o que traduz um upside de 23,2%.

O Caixa BI emitiu uma nota sobre a Greenvolt onde sobe o preço-alvo de 7,5 euros para 8,60 euros, o que traduz um upside de 23,2%.

Na sua análise Carlos Jesus, analista do Caixa Banco de Investimento, atribui à empresa liderada por João Manso Neto, um valor de 1.044,3 milhões de euros, em termos equity value (sem a dívida) e um valor de 1.578,2 milhões de euros de enterprise value (incluindo 234,7 milhões de dívida líquida e 299,1 milhões de euros em interesses minoritários).

A Greenvolt opera na produção de energia elétrica através de biomassa residual, estando atualmente presente em duas geografias: Portugal e Reino Unido.

Em Portugal, detém cinco centrais de biomassa residual florestal, com uma capacidade instalada de cerca de 100 MW. No Reino Unido, detém uma participação maioritária (51%) na TGP, operando uma central com cerca de 42 MW que utiliza resíduos lenhosos urbanos.

O research do Caixa BI, a que o Jornal Económico teve acesso, justifica a subida da avaliação da empresa com os novos dados conhecidos após os resultados do 4º trimestre do ano passado e com a última atualização do pipeline.

“Desde seu IPO em julho de 2021, a Greenvolt aumentou o EBITDA e ampliou o seu portfólio de projetos de forma significativa. A incorporação do negócio de biomassa da TGP no Reino Unido deu um impulso instantâneo ao top line e à margem operacional, beneficiando também da sua exposição ao aumento dos preços da eletricidade no Reino Unido”, diz o Caixa BI.

“Além disso, a empresa expandiu o seu pipeline de projetos de energia solar fotovoltaica, eólica e de armazenamento de 3,6 GW, no momento do IPO, para 5,8 GW (incluindo 1,4 GW de armazenamento), dos quais 4 GW em estágio avançado e 2 GW em ready-to-build (RTB) ou pronto para comercializar até 2023″, diz o analista.

“Essa expansão é a pedra angular de nossa avaliação atualizada (8,60 euros por ação versus o valor justo anterior de 7,50 euros). Como veremos no relatório, as transações recentes de mercado estão a valorizar cada vez mais não apenas os projetos de RTB ou pronto para comercializar (COD), mas também as perspetivas de crescimento e os recursos humanos que proporcionam esse crescimento”, refere o relatório.

“À medida que a energia renovável entra no modo mainstream, a injeção de capital não é a única coisa a ter em consideração, sendo também importante reconhecer os recursos humanos, atribuindo especificamente um prémio às equipes em cada empresa/projeto. Como dissemos desde a cotação da Greenvolt, o fator que mais contribui para sustentar a nossa confiança na valorização da empresa é a equipe de gestão e o seu histórico na indústria. Destacamos também o momento favorável para as energias renováveis, não só em termos de metas da UE para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas também pelo aumento do incentivo à redução da dependência de combustíveis fósseis após a invasão da Ucrânia pela Rússia”, lê-se no documento.

O EBITDA no último trimestre de 2021 atingiu 27,1 milhões, o que traduz um aumento acentuado face aos 7,8 milhões no quarto trimestre de 2020 (explicado pela consolidação da TGP), mas também face ao 3º trimestre de 2021 (18,8 milhões).

O aumento no trimestre foi explicado principalmente pelo aumento dos preços da eletricidade no Reino Unido, onde a TGP está exposta aos preços de mercado. Estes resultados foram impulsionados pelos negócios de biomassa em Portugal e no Reino Unido, uma vez que os projetos solares e eólicos ainda estão em fase de desenvolvimento.

“Destacamos que o tamanho da Greenvolt não é comparável ao de 2020 devido à consolidação da TGP. Se extrapolarmos o EBITDA do 4T21, o valor implícito para o ano inteiro ficaria mais próximo de 100 milhões de euros contra 33 milhões de euros em 2020 (e apenas dos negócios de biomassa). À medida que a capacidade solar e eólica for adicionada e os projetos de RTB forem vendidos, isso alimentará o EBITDA e explicará o crescimento incorporado em nossas estimativas”.

“Se utilizarmos as métricas EV/MW observadas em algumas das últimas transações de M&A observadas no mercado, o pipeline da Greenvolt estaria avaliado em cerca de 900 milhões de euros. Este facto fornece um amplo grau de confiança à nossa própria avaliação dos portfólios solar e eólico, sendo uma indicação clara da percepção de valor dos players do setor que os investidores em ações devem estar cientes”, refere a Caixa BI.

A cisão da participação maioritária detida pela Altri na Greenvolt aumentará o potencial de float, defende o analista, já que coloca a maior parte do capital da Greenvolt no mercado, aumentando a exposição da ação ao atual ambiente positivo em termos de interesse de players do setor e/ou entidades que desejam aumentar sua presença no mercado.

A avaliação da Greenvolt é dividida em quatro grandes áreas: a Biomassa, a Solar FV, a Eólica e outros negócios (energia descentralizada), “aos quais aplicamos uma metodologia EV/EBITDA para derivar o valor estimado do empreendimento de cada área”.

O negócio de biomassa é responsável pela única capacidade operacional que a empresa possui no momento.

“Os valores da empresa são calculados usando a previsão de EBITDA médio de cinco  anos multiplicado por uma métrica de EV/EBITDA para cada um dos negócios/tecnologia (em nossa opinião conservadora em energia solar fotovoltaica e eólica). Também mostramos as métricas implícitas para o ano de avaliação (2023), que traduzem o potencial de crescimento de cada segmento. Como pode ser visto, o negócio de biomassa tem pequenas mudanças nas métricas de EV/EBITDA para 2023 e para a média dos próximos cinco anos, pois não há adições de capacidade consideráveis ​​que possam expandir significativamente o EBITDA”, explica o research.

“Os restantes segmentos, nomeadamente solar fotovoltaico e eólico, experimentam uma grande ajuste nas métricas de EV/EBITDA em relação ao nosso valor de longo prazo usado na avaliação”, diz o research do Caixa BI.

 

Recomendadas

CEO da Electronic IDentification: “Estivemos quase a desaparecer duas ou três vezes”

Iván Nabalón, fundador e CEO da Electronic IDentification, conta ao JE como quer aumentar os clientes digitais dos bancos e seguradoras.

Uberização do mercado das entregas deverá continuar a crescer

Empresas que trabalham para o sector da logística e transporte acreditam que a concorrência das plataformas digitais veio para ficar.

Navigator paga dividendo de 0,1406 euros por ação a 7 de junho

A partir do dia 3 de junho (inclusive), as ações serão transacionadas em mercado regulamentado sem conferirem direito ao dividendo, diz a empresa.
Comentários