Caixa quer alcançar rentabilidade superior a 8% até 2024 em plano estratégico prudente

Entre os objetivos do plano estratégico, o banco quer manter-se abaixo dos 3% no rácio de crédito malparado, ter um rácio de capital robusto, mas também alcançar uma rentabilidade (return on equity ou ROE) superior a 8% até 2024. Metas que já atingiu ou está próximo de alcançar.

Cristina Bernardo

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) já tem em curso o seu plano estratégico, mas mantém a sua prudência perante a incerteza económica e geopolítica. Entre os objetivos, o banco quer manter-se abaixo dos 3% no rácio de crédito malparado, ter um rácio de capital robusto, mas também alcançar uma rentabilidade (return on equity ou ROE) superior a 8% até 2024. Metas que já atingiu ou está próximo de alcançar.

“Nós prevemos um ano melhor para a banca este ano, mas temos uma grande incerteza para a frente”, afirmou Paulo Macedo, CEO do banco estatal, na apresentação dos resultados para os primeiros três meses do ano.

Sobre o ROE, o gestor disse que a meta de mais de 8% “pode ser vista de várias formas”. Por um lado, “em termos de rentabilidade dos bancos portugueses, está acima” do restante sector. Por outro, há o facto de o banco ter “um rácio CET1 muito robusto”. E se a instituição financeira tivesse um “capital semelhante aos outros bancos, teríamos um ROE superior”, explicou Paulo Macedo.

De acordo com os resultados referentes ao primeiro trimestre do ano, apresentados esta quinta-feira, o banco liderado por Paulo Macedo tinha um return on equity (ROE) de 7,2% em março, face a 4,2% em março do ano passado, num período marcado pelo impacto da crise pandémica. Já no plano estratégico para os próximos anos, a CGD diz querer alcançar uma rentabilidade superior a 8% até 2024.

O banco quer ainda manter um rácio de crédito malparado (NPL) abaixo dos 3%, um patamar que já atingiu nos primeiros três meses do ano, com este indicador a situar-se nos 2,8%. Também o custo do risco deverá ficar abaixo dos 25 pontos base.

Quanto ao cost to income, o objetivo é atingir uma percentagem inferior a 45% – atualmente, situa-se nos 49%, abaixo de 50,6% em março de 2021.

Já o rácio de capital CET1 deverá ficar acima dos 15% até ao final do plano estratégico. A instituição financeira tinha um rácio de 18,2% no final dos primeiros três meses do ano.

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