CaixaBank, Santoro e BIC abstiveram-se na Assembleia do BPI que votou a venda do BFA

O CaixaBank absteve-se. Mas não foi o único. A Santoro de Isabel dos Santos e o BIC também se abstiveram. Ainda assim a venda do BFA passou com a maioria dos votos expressos dos acionistas. O futuro do BPI começa agora.

Octávio Passos/Jornal Económico

“O CaixaBank decidiu abster-se na votação realizada hoje na assembleia de acionistas do BPI que aprovou a venda de 2% do BFA à empresa Unitel”, explicou o comunicado do maior acionista do BPI.

A Assembleia Geral realizada no passado dia 23 de Novembro aprovou a suspensão dos seus trabalhos e o seu recomeço hoje, e acabou por aprovar o único ponto em agenda a venda de 2% do banco angolano à Unitel de Isabel dos Santos.

Estiveram presentes ou representados 223 Accionistas, detentores de acções correspondentes a 84.15% do capital social e a deliberação foi aprovada por 83.23% dos votos expressos.

Mas, sabe-se agora, a votação teve a abstenção do CaixaBank (que tem 45,5% do capital e votos do BPI), pois o banco espanhol, “não quis condicionar o resultado da votação com o seu voto decisivo e optou por aceitar a decisão que fosse adotada pelos restantes acionistas do BPI que acorreram à assembleia geral”. Mas não só. A Santoro (18,6%) e o BIC (2,28%) também se abstiveram, para retirar argumento aos minoritários que ameaçavam impugnar se votassem. Mas nem assim a proposta foi chumbada.

Alguns acionistas minoritários queriam impedir a votação do CaixaBank por achar que havia conflito de interesses, alegando que havia “uma relação, estabelecida ou a estabelecer, entre a sociedade e o sócio estranha ao contrato de sociedade”. Isto, porque a Santoro é detida por Isabel dos Santos que é ao mesmo tempo a dona da Unitel (compradora dos 2% do BFA) através da Geni e da Mercury.

Numa assembleia geral em que estiveram representados 223 acionistas, detentores de 84,15% do capital, a venda dos 2% do banco angolano à Unitel foi decidida com a abstenção de 76% das ações representadas.

“O resultado da votação reflete inequivocamente um apoio maioritário por parte dos acionistas do BPI à proposta realizada pelo seu conselho de administração e permitirá solucionar o incumprimento da concentração de grandes riscos do BPI logo que a venda dos 2% do BFA seja formalizada”, diz o CaixaBank.

“A proposta do Conselho de Administração de venda pelo Banco BPI à Unitel, S.A. de 26.111 (vinte e seis mil, cento e onze) acções, representativas, no seu conjunto, de 2% do capital social do Banco de Fomento Angola nos termos previstos no contrato de compra e venda celebrado entre aquelas duas entidades” foi aprovada em AG com 3,8% de votos contra. Tiago Violas admite contestar.

Fernando Ulrich, presidente executivo do banco, disse em conferência  que o BPI entra, agora, “em modo de execução”, na medida em que “não há matérias para negociar”. Se é uma nova fase, não comenta. “O banco nunca deixou de manter a sua operação normal. Não há nenhuma alteração desse ponto de vista. Vamos continuar em frente, obviamente libertos da complexidade que nestes dois anos foi a resolução de todas estas questões. Podemos, agora, estar ainda mais focados nos clientes”-

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