Câmara de Setúbal “repudia quebra de sigilo no tratamento de dados de cidadãos ucranianos”

A Câmara de Setúbal vai “solicitar ao Ministério da Administração Interna que adote, de imediato, os necessários procedimentos no sentido de averiguar a veracidade das suspeitas veiculadas”.

Na sequência da notícia do “Expresso” que dá conta de que refugiados ucranianos foram recebidos por pró-russos no gabinete de apoio da autarquia comunista de Setúbal, a Câmara Municipal de Setúbal repudiou “com veemência toda e qualquer insinuação de quebra de sigilo no tratamento de dados de cidadãos ucranianos”.

Numa publicação no Facebook a autarquia sentiu necessidade de esclarecer alguns aspetos depois da divulgação da notícia.

“A Câmara Municipal [de Setúbal] tem em funcionamento, desde o início da invasão russa da Ucrânia, um serviço de atendimento a refugiados ucranianos e tem prestado todo o apoio necessário ao acolhimento destas pessoas, em direta e permanente articulação com diferentes entidades, nomeadamente a Segurança Social, Alto Comissariado para as Migrações, Instituto de Emprego e Formação Profissional e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras”, começou por explicar a autarquia.

Quanto ao russo Igor Kashin, mencionado na notícia do “Expresso”, a Câmara de Setúbal esclareceu que “colabora, regularmente, há vários anos, com várias entidades da administração central, entre as quais o Instituto de Emprego e Formação Profissional, o Alto Comissariado para as Migrações e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, tendo prestado esta colaboração já este ano, em instalações de alguns destes serviços em Setúbal, no contexto do acolhimento de refugiados da guerra da Ucrânia”.

“Esteve também a dar apoio, no contexto das relações existentes, desde 2005, entre a Câmara Municipal de Setúbal e a Associação de Imigrantes de Países de Leste, associação de imigrantes de leste, nos serviços municipais responsáveis pelo acolhimento de refugiados”, refere a autarquia.

Na publicação a Câmara adianta que “após tomar conhecimento de afirmações proferidas, há duas semanas, pela Embaixadora da Ucrânia em Portugal relativamente a esta associação, a Câmara Municipal de Setúbal questionou formalmente e no próprio dia, por ofício, o senhor Primeiro-ministro, pedindo que se pronunciasse sobre a veracidade destas declarações e esclarecesse com a maior brevidade possível se o Alto Comissariado para as Migrações mantinha a confiança nesta associação, não tendo obtido resposta até ao momento”.

Tendo em conta a polémica, a autarquia vai “solicitar ao Ministério da Administração Interna que adote, de imediato, os necessários procedimentos no sentido de averiguar a veracidade das suspeitas veiculadas”.

“Face à situação criada, a Câmara Municipal, retirou do acolhimento de cidadãos ucranianos a técnica superior citada na notícia até ao total e inequívoco esclarecimento desta situação”, acrescenta o comunicado.

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