Candidato apoiado por Donald Trump vence primárias no Ohio

Os republicanos escolheram um candidato próximo do ex-presidente para se apresentar a votos a um lugar no senado pelo Estado de Ohio, em novembro. Os motores para as eleições intercalares desse mês começam a aquecer.

Aos poucos, as movimentações em torno das eleições intercalares norte-americanas de novembro próximo vão-se aproximando do topo da agenda política do país – numa altura em que, a acreditar na maioria das sondagens, a guerra na Ucrânia não está a fortalecer as perspetivas populares sobre a prestação da administração democrata de Joe Biden.

No interior do partido republicano, a ‘guerra’ é entre os moderados e o grupo de indefetíveis do ex-presidente Donald Trump – que se está a transformar numa verdadeira alteração do paradigma político tradicional dos conservadores norte-americanos.

Para ‘apimentar’ o momento, está a vitória nas primárias republicanas do Estado do Ohio de J.D. Vance, candidato apoiado por Donald Trump – que conseguiu deixar para trás a concorrência mais moderada e agora se apresentará aos eleitores em concorrência com o candidato democrata.

A história política de James David Vance, de 37 anos, é curiosa: foi inicialmente um forte opositor e crítico de Trump, a quem chegou a chamar “Hitler da América”, antes de se ‘converter’, por razões que ainda estão por apurar. Ex-marine e formado na prestigiada Yale Law School, Vance ganhou fama com a publicação, em 2016, de um livro em que tentava explicar por que razão eleitores brancos da classe trabalhadora poderiam ser convencidos a votar num populista como Donald Trump.

O atual senador republicado por Ohio, o moderado Rob Portman (que se reformará em novembro), é, segundo a imprensa norte-americana, um dos que temem que os democratas consigam vencer as eleições intercalares se os republicanos exagerarem nas propostas nacionalistas, populistas e negacionistas (da vitória democratas de 2020) com que se vão apresentar ao eleitorado.

J. D. Vance disse, no seu discurso de vitória – depois de ter deixado seis candidatos às primárias que venceu – que “tenho que agradecer ao 45º. presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump”, antes de enveredar pelo circuito das ‘fake news’ e da perseguição que, por via delas, a comunicação social lhe terá movido.

Como vai sucedendo com alguma frequência, Vance também acabou por convergir para a órbita de Steve Bannon, antigo assessor de Trump e ‘líder mundial’ da extrema-direita. Num podcast de Bannon, Vance disse há umas semanas que “eu tenho que ser honesto: realmente não me importo com o que acontece na Ucrânia”. Mais tarde tentou retratar-se, tendo divulgou um comunicado sobre os seus próprios comentários em que chamou a invasão russa “inquestionavelmente uma tragédia”.

Nas eleições de novembro, Vance enfrentará o democrata moderado Tim Ryan, membro da Câmara de Representantes. O Estado de Ohio é tradicionalmente ganho pelos republicanos.

Recomendadas

Ocidente deve ser mais brando com a Rússia e a Ucrânia deve ceder, defende Kissinger

Segundo o ex-secretário de Estado dos EUA, os líderes europeus não devem perder de vista o relacionamento de longo prazo com a Rússia, nem devem arriscar empurrá-la para uma aliança permanente com a China. O antigo campeão de xadrez Garry Kasparov disse que essa posição, para além de imoral, foi provada errada repetidamente.

Sondagem revela que economia é mais importante do que punir a Rússia

Enquanto que eu março a maioria defendia que se devia dar prioridade às sanções à Rússia, agora 51% defende que se deveria limitar os danos à economia dos EUA.

Cimeira do QUAD lança plano de 50 mil milhões para suster avanço da China no Indo-Pacífico

Líderes dos Estados Unidos, Japão, Índia e Austrália, divulgaram um plano de vigilância marítima do Indo-Pacífico e prometem um megaprojeto de investimentos em infraestruturas. A declaração conjunta não menciona diretamente a China. E a Rússia também não.
Comentários