Caritas alemã recebe o dobro de casos de dívidas energéticas

As conclusões foram divulgadas pela Caritas à agência Lusa, e constam de um estudo que será apresentado hoje, com base nos quase 500 centros do Serviço Geral de Aconselhamento Social da instituição, espalhados pelo país.

14. Alemanha – 70.72

O número de pessoas com faturas de energia em atraso na Alemanha duplicou em três anos, de acordo com a Caritas, que também regista um aumento de casos de dívidas no pagamento de rendas e dificuldades financeiras.

As conclusões foram divulgadas pela Caritas à agência Lusa, e constam de um estudo que será apresentado hoje, com base nos quase 500 centros do Serviço Geral de Aconselhamento Social da instituição, espalhados pelo país.

“Os 468 centros de aconselhamento são o primeiro ponto de contacto para pessoas que têm problemas sociais com os quais não conseguem lidar. São um sismógrafo fiável dos problemas e emergências do país”, revelou a presidente da Caritas, Eva Maria Welskop-Deffaa.

“Muitos problemas são ‘velhos conhecidos’, (…) mas a importância de outras questões está a aumentar. A situação da habitação, as rendas elevadas e os custos de aquecimento estão a colocar cada vez mais pessoas em perigo”, sublinhou.

Em 2019, 4,8% procuraram ajuda na Caritas por atrasos ou não cumprimento de faturas de energia. Já este ano, a proporção chega quase aos 11%, de um universo que supera os dois mil pedidos.

“A dívida energética está a tornar-se cada vez mais comum. Uma tendência que começou antes de fevereiro de 2022 (início da guerra na Ucrânia), mas que ganhou força devido à evolução geopolítica dos preços da energia”, sustentou Eva Maria Welskop-Deffaa.

Já os problemas ligados às dívidas no pagamento das rendas motivaram o pedido de aconselhamento de 9,6% dos que recorreram à Caritas.

Também a associação sem fins lucrativos “Berliner Tafel”, que se dedica a distribuir comida confecionada e alimentos, viu os pedidos de ajuda a aumentar. De acordo com a porta-voz, Antje Trölsch, o número de pessoas que se dirigem aos pontos de distribuição da instituição duplicou de janeiro para agora.

Em declarações à agência Lusa, Trölsch sublinha ainda que o volume de alimentos distribuídos pelas instituições de solidariedade também cresceu. Além dos sem-abrigo, juntam-se agora grupos de ucranianos, e pessoas com dificuldades financeiras por causa do aumento dos preços e da inflação.

“Os voluntários estão exaustos”, realçou a porta-voz, acrescentando que as rações de comida tiveram de sofrer um corte para poderem chegar a todos os que mais precisam.

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