Carlos César acha que ex-secretário de Estado da Saúde podia ter-se demitido mais cedo

“Esta situação que aconteceu com a Raríssimas não será caso único, terá outros contornos noutras instituições, mas é importante que esta atividade inspetiva seja mais abrangente de modo a que estejamos mais descansados”, disse.

O presidente do PS, Carlos César em conversa com o secretário-geral do partido, António Costa

O líder socialista, Carlos César, afirmou que o ex-secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado podia ter-se demitido “24 horas antes”, no âmbito do caso Raríssimas, numa entrevista hoje publicada.

“Se encontrou razões para se demitir 24 horas depois, certamente teriam sido as mesmas razões que teria encontrado 24 antes”, considerou na entrevista ao jornal “Público” e à Rádio Renascença, quando questionado sobre se considerava que Manuel Delgado devia ter apresentado a demissão logo quando o caso surgiu, no sábado, em vez de aguardar pela divulgação de novas informações.

Na sequência de uma reportagem emitida pela TVI no fim de semana, na qual se denunciavam práticas de gestão danosa da instituição particular de solidariedade social (IPSS) Raríssimas, e que envolviam o seu nome, Manuel Delgado deu na terça-feira uma entrevista ao canal em que disse ter posto o lugar à disposição do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, que, segundo o ex-secretário de Estado, lhe respondeu que não via “razões objetivas” para o retirar de funções.

Na entrevista ao Público e à Renascença, o presidente do Partido Socialista e líder da bancada parlamentar do PS na Assembleia da República minimizou as várias remodelações provocadas por secretários de Estado e disse que casos como estes “são periféricos” à governação.

“Creio que estamos a tomar uma atenção excessiva a problemas que, pela sua natureza, são periféricos da atividade governativa”, defendeu Carlos César, quando indagado se há um problema de escolhas dos membros do executivo.

Sobre o desvio da atenção do essencial que este tipo de casos provocam, o dirigente socialista afirmou que “as pessoas cometem erros, têm omissões, ou tomam decisões que são incorretas ou não têm os resultados esperados” e que “isso acontece com os governantes, como acontece com qualquer outra pessoa”.

“Há uma atenção mediática para aspetos que são laterais à atividade governativa. Se excetuarmos as questões infelizes envolvendo os incêndios e as suas vítimas, todos os outros casos são de gestão corrente que tiveram menor sucesso, ou que tiveram explicações indevidas, a questão do Infarmed ou mesmo esta. Não tipificam nada de essencial”, argumentou.

Carlos César apontou, no entanto, que “uma das deficiências do Estado português é na área inspetiva e fiscalizadora – e não só no que toca à rede de solidariedade social”.

“Esta situação que aconteceu com a Raríssimas não será caso único, terá outros contornos noutras instituições, mas é importante que esta atividade inspetiva seja mais abrangente de modo a que estejamos mais descansados”, disse.

“As IPSS devem ser predominantemente dirigidas por pessoas que nelas se envolvam numa perspetiva de voluntariado, mas há instituições que implicam afetação permanente dos seus dirigentes e uma remuneração”, acrescentou.

Questionado sobre se seria conveniente uma profissionalização, César respondeu que “o fundamental é que haja uma disciplina quanto às remunerações que são aplicáveis nesses casos, que haja bom-senso e proporcionalidade”, observando que “isso manifestamente não foi considerado neste caso”.

Carlos César defendeu os titulares das pastas da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, como “ministros com grande peso no Governo e com grande obra feita”, embora reconhecendo que “no discurso político ou de comunicação, numa ou noutra circunstância, o façam com menor qualidade”.

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