Carlos Guimarães Pinto abandona direção do Instituto + Liberdade

Novamente cabeça de lista da Iniciativa Liberal pelo Porto, ex-presidente do partido tomou a decisão por considerar incompatível manter-se à frente de organização apartidária. Na hora da despedida, realça os seis mil membros como “um valor inédito em ‘think-tanks’ tanto em Portugal como no resto da Europa”.

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Manuel Fernando Araújo/Lusa

O diretor executivo do Instituto +Liberdade, Carlos Guimarães Pinto, anunciou que irá abandonar esse cargo devido à sua inclusão nas listas de deputados da Iniciativa Liberal (IL) às legislativas de 30 de janeiro de 2022. O ex-presidente desse partido voltará a ser cabeça de lista pelo círculo do Porto, mas ao contrário do que sucedeu em 2019 os resultados das sondagens indicam que será eleito para a Assembleia da República.

“A posição de candidato partidário e líder de uma organização apartidária como o Instituto +Liberdade são incompatíveis. Por isso acordei com o Conselho de Curadores que iria abdicar da minha posição com efeito imediato”, escreveu Carlos Guimarães Pinto, numa mensagem partilhada no Facebook.

O Conselho de Curadores do Instituto +Liberdade apontou André Pinção Lucas, que já integrava o projeto, como diretor executivo interino, iniciando o processo de uma nova direção “que possa continuar o trabalho até aqui tão bem liderado por Carlos Guimarães Pinto”.

Na mensagem de despedida, destacando que “não podia estar mais feliz” com o impacto do Instituto +Liberdade, que considera “um projeto único no panorama português”, na medida em que os seus mais de seis mil membros constituem “um valor inédito em think-tanks tanto em Portugal como no resto da Europa”, Guimarães Pinto garantiu que ao longo do último ano, passado a “ler, escrever, intervir, lançar projetos e estar sempre em contacto com os mais jovens, a faixa etária que pode efetivamente comandar a mudança no futuro”, esteve entre as “poucas pessoas que têm a sorte de fazerem aquilo que mais gostam com quem gostam”.

No entanto, mesmo reconhecendo que “há demasiados aspetos da vida partidária de que não gosto”, descrevendo-a como “um jogo de soma nula onde raramente se olham a meios para atingir fins” e “um jogo agreste em que se pode perder tudo”, o cabeça de lista da IL pelo Porto admitiu que a política partidária “é também (ainda) o principal palco para introduzir e debater novas ideias, levá-las ao grande público e implementá-las”.

“Há dois anos apresentei-me a eleições sem qualquer expectativa de ser eleito. Apresentei-me com o compromisso de lutar na arena política por um conjunto de valores, mobilizando um grupo de pessoas que, como eu, não esperavam nada em troca além de espalharem esses valores. Valores que não sendo (ou não devendo ser) integralmente exclusivos de uma força partidária, eu continuo a partilhar e estão no core da Iniciativa Liberal”, escreveu Guimarães Pinto, acrescentando que, após João Cotrim Figueiredo ter deixado “uma vida confortável e discreta para ajudar por esses valores”, então a seu convite, “não poderia rejeitar o mesmo desafio, desta vez lançado por ele, estando na mesma situação”.

Representada nesta legislatura pelo deputado único João Cotrim Figueiredo, que sucedeu a Carlos Guimarães Pinto na liderança após as legislativas de 2019, a IL apresenta-se às próximas eleições com a expectativa de eleger entre cinco e sete deputados em círculos como Lisboa, Porto, Braga, Aveiro e Setúbal.

No círculo de Lisboa a lista volta a ser encabeçada por Cotrim Figueiredo, aparecendo nos lugares seguintes a coordenadora do Gabinete de Estudos da Iniciativa Liberal, Carla Castro, e o chefe de gabinete da equipa parlamentar e membro n.º2 do partido, Rodrigo Saraiva. Quanto ao Porto, logo atrás de Guimarães Pinto segue a ex-presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Patrícia Gilvaz. E os cabeças de lista em Braga, Aveiro e Setúbal serão, respetivamente, o colunista e gestor de Recursos Humanos Rui Rocha, o enfermeiro especialista em saúde mental Cristiano Santos e a gestora de Marketing Joana Cordeiro.

Enquanto cabeça de lista por Fora da Europa aparece o professor universitário Nuno Garoupa, atualmente a dar aulas e a fazer investigação na Universidade George Mason, no estado da Virgínia. Numa série de textos em que dividiu um Manifesto pela Reconfiguração da Direita Portuguesa, o ex-presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos explicou a sua candidatura, assumidamente sem hipóteses de sucesso num círculo que só elege dois deputados para a Assembleia da República, escrevendo que, “com quase uma década de atraso, as próximas eleições legislativas vão finalmente reconfigurar o sistema partidário português em função das prioridades do século XXI, e não do século XX”.

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