Carlos Moedas: “A transição energética é o maior desafio das nossas vidas”

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa discursou esta terça-feira numa conferência ibérica dedicada ao tema da mobilidade, onde o líder da CIP, António Saraiva, defendeu que reduzir os transportes não é a solução para descarbonizar o país.

Carlos Moedas
Carlos Moedas

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa disse esta terça-feira, numa conferência ibérica sobre mobilidade, que a “transição energética, com a descarbonização no centro, é o maior desafio das nossas vidas” e envolve principalmente três desafios: económico, tecnológico e social.

O primeiro “deve assegurar que o crescimento é compatível com a redução de emissões”, explicou. “Crescer tem que ser compatível com o combate às alterações climáticas – e a Europa já provou que isso é possível, pois cresceu ao mesmo tempo que fez um esforço para reduzir emissões”, argumentou Carlos Moedas, no encontro dedicado ao tema “Mobilidade Sustentável: Desafios e Oportunidades da Descarbonização da Mobilidade”.

Segundo Carlos Moedas, há ainda o desafio tecnológico, tendo em conta que a ciência será responsável por solucionar o problema dos custos de produção, e o social, “pois é preciso consciencializar as pessoas para a necessidade desta mudança”.

Ainda assim, o autarca e ex-comissário europeu da Ciência e Inovação reconhece que hoje há consciencialização para este tema porque Portugal está Europa. “Este é um assunto que já tem muitos anos de discussão na Europa, muito antes de se tornar central no discurso atual”, frisou, no evento organizado pela Fundação Repsol, Câmara de Comércio Hispano-Portuguesa e a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola (CCILE), que se realizou em Lisboa.

Já o presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal defendeu que o corte nos transportes não é a solução para a transição energética do país. “Os transportes são, e continuarão a ser, essenciais à economia e à sociedade. A sua redução, ou mesmo determinadas restrições, não serão solução, mas ao mesmo tempo não existe alternativa à redução drástica das emissões nos transportes”, referiu.

Destacando o sector automóvel como estratégico para os objetivos da mobilidade sustentável, António Saraiva reiterou que a “revolução” que se pretende fazer com os investimentos na descarbonização, acompanhada com políticas públicas, legislação e regulação, “só terá sucesso se forem criadas condições para uma evolução social tranquila, com preservação do emprego, com a seleção das novas infraestruturas que se revelarem indispensáveis, com empresas e sectores envolvidos competitivos e, necessariamente, com custos comportáveis para as empresas utilizadoras e para os cidadãos”.

Da indústria petrolífera que interveio foi o presidente da Repsol, Antonio Brufau, que se reviu nas palavras anteriores sobre a indústria dos veículos e a ideia de cooperação e uniformidade. “A descarbonização da mobilidade é um desafio global que implica a atuação do estado, das empresas, da ciência, e de todos os sectores da sociedade em geral. Ações isoladas nada resolvem. Este é um problema com necessidade de soluções globais”, afirmou o número um da Repsol, que pretende ser neutra em carbono até 2050.

Na opinião de Antonio Brufau, “a indústria automóvel é um sector crítico na Península Ibérica, tem peso nas exportações, no PIB, no emprego e é um catalisador de outros setores da economia, o que exige uma transição ordenada”, reforçou. “As infraestruturas, as redes de serviço, estão preparadas para a comercialização de qualquer energia, e são, na Península Ibérica, de classe mundial de classe mundial”, concluiu o gestor, na conferência na qual participou também o secretário de Estado da Mobilidade Urbana, Jorge Delgado.

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