Carlos Moedas não confirma se buscas na Câmara de Lisboa dizem respeito a mandatos de António Costa

O presidente da autarquia da capital confirmou as buscas e que as mesmas dizem respeito a mandatos anteriores ao seu. Carlos Moedas não confirmou se essas demandas dizem respeito ao período em que António Costa liderou a Câmara de Lisboa

Cristina Bernardo

Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, confirmou esta quinta-feira a existência de buscas na Câmara Municipal de Lisboa e garantiu que as mesmas dizem respeito a dossiers referentes a executivos anteriores.

“Confirmo a existência de buscas na Câmara Municipal de Lisboa e que essas buscas estão relacionadas com executivos anteriores ao meu”, começou por referir o autarca em declarações aos jornalistas.

O presidente da Câmara garantiu total colaboração com a Justiça e enfatizou a importância de “dar o exemplo na política” dando como exemplo a proposta para a criação de um departamento anticorrupção na autarquia da capital: “É importantíssimo que todos os processos sejam totalmente transparentes dentro da Câmara Municipal de Lisboa. Sabemos que existe corrupção em Portugal e temos que a combater”.

Questionado sobre se as buscas estendem-se aos mandatos de António Costa na Câmara de Lisboa, Carlos Moedas não confirmou essa situação e repetiu apenas que as buscas diziam respeito a mandatos anteriores ao seu.

A Câmara Lisboa confirmou esta quarta-feira a realização de buscas no departamento de Urbanismo da autarquia, mas remeteu mais esclarecimentos para as autoridades judiciais.

“Qualquer esclarecimento deverá ser prestado pelas autoridades judiciais”, disse à Lusa fonte oficial da Câmara Municipal de Lisboa, confirmando apenas as buscas no departamento de Urbanismo.

A TVI/CNN Portugal noticiou hoje à noite que a Polícia Judiciária realizou, na terça-feira, buscas na Câmara de Lisboa por “suspeitas de corrupção, participação económica em negócio e falsificação”, numa nomeação para “prestação de serviços que foi assinada em 2015” pelo então presidente da autarquia, Fernando Medina, que é agora ministro das Finanças.

Segundo a TVI, em causa estarão “a viciação das regras para a contratação de um histórico do PS de Castelo Branco com vista à gestão das obras públicas na capital”.
“O Ministério Público acredita que o objetivo do esquema visou a angariação de dinheiro em obras públicas, com subornos de empreiteiros, para o financiamento ilícito do PS, através dos chamados sacos azuis”, refere a TVI.

Ainda de acordo com a estação de televisão, a PJ realizou buscas no departamento de Urbanismo da Câmara de Lisboa e nas casas e empresas de dois empresários de Castelo Branco, suspeitos de participarem num esquema de angariação de fundos para estruturas do Partido Socialista.

“Os alvos, por suspeitas de corrupção, são Joaquim Morão, histórico socialista e ex-autarca de Castelo Branco e de Idanha a Nova, e o seu amigo António Realinho, empresário da mesma zona do país, que até já cumpriu pena de prisão por burla”, segundo a TVI.

A Lusa contactou o Ministério das Finanças e a Polícia Judiciária para mais esclarecimentos sobre o caso, mas até ao momento não foi possível obter uma resposta.

Em declarações à TVI, Fernando Medina disse não ter conhecimento de qualquer investigação, acrescentando apenas que “os processos de contratação da Câmara Municipal de Lisboa eram instruídos pelos serviços competentes para contratação, no cumprimento das normas aplicáveis”.

Recomendadas

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta sexta-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta sexta-feira.

TAP: Aprovada comissão de inquérito à “tutela política da gestão” proposta pelo BE

O objeto desta comissão será “avaliar o exercício da tutela política da gestão da TAP, SGPS, S.A. e da TAP, S.A., em particular no período entre 2020 e 2022, sob controlo público”.

Bónus ilegal à CEO da TAP. PSD diz que “tem que haver consequências políticas”

“Temos que apurar realmente o que aconteceu e está a acontecer na TAP. Quando falamos na gestão da TAP é preciso perceber onde estava o acionista Estado? Como foi possível atirar 3,2 mil milhões de euros para a TAP?”, questionou-se o deputado social-democrata.
Comentários