Carlos Tavares leva proposta de João Ermida para Chairman do banco à Associação Mutualista

João Ermida vai ser proposto para Chairman do Banco Montepio. O nome deverá passar no Conselho Geral da Mutualista. O processo será enviado para o Banco de Portugal depois de aprovado pela acionista do banco.

Cristina Bernardo

Carlos Tavares já escolheu o candidato a Chairman da Caixa Económica Montepio Geral, sabe o Jornal Económico. Trata-se de João Ermida, com quem o atual CEO do Banco Montepio trabalhou nos tempos do Santander.

O nome vai ser aceite pelo Conselho Geral da Associação Mutualista e depois será levado à Assembleia Geral do banco para aprovação e só depois será formalmente enviado para o Banco de Portugal para o processo de avaliação conhecido por fit & proper.

Carlos Tavares tem até meados de janeiro para levar uma proposta ao Banco de Portugal, uma vez que o prazo concedido para a acumulação de funções de Chairman e CEO acaba a 21 de janeiro.

A exigência de separação de competências no topo da governação da CEMG, onde Carlos Tavares acumula desde 21 de Março as presidências da Comissão Executiva e do Conselho de Administração, respeita uma recomendação do Banco Central Europeu. As regras do BCE exigem que o presidente do conselho de administração, no modelo monista, não tenha quaisquer funções executivas, de modo a ser isento para fiscalizar a atividade dos administradores executivos.

Inicialmente Carlos Tavares tinha pensado num modelo em que João Ermida ficaria CEO na condição de Carlos Tavares ter uma função de chairman que pudesse ser reforçada no sentido de ficar responsável pelo plano estratégico e pelas funções de auditoria e gestão de risco.

Carlos Tavares inspirou-se no caso do BCP e da alegada definição de poderes de Nuno Amado, quando passou a chairman, deixando o lugar de CEO para Miguel Maya. Mas o Banco de Portugal não aceitou o modelo porque viola os princípios puros da função de fiscalização da gestão executiva que deve caber aos administradores não executivos.

O nome de João Ermida tem de passar no Banco de Portugal, em termos de fit & proper, que segue modelos de avaliação dos administradores adoptados pelo BCE. E que passam pela exigência aos gestores de conhecimentos das atuais regras bancárias, experiência no setor, e uma folha limpa em termos de gestão bancária.

(atualizada)

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