Carris Metropolitana ainda mal arrancou e já tem mais de 50 queixas

Os motoristas da nova Carris Metropolitana que, por desconhecerem os novos horários e percursos dos autocarros, fizeram uma paralisação espontânea. Como resultado, nova empresa já recebeu 56 queixas.

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As greves nos transportes da Área Metropolitana de Lisboa (AML) nos primeiros seis meses do ano fizeram disparar em 58% o número de reclamações. Os atrasos e problemas nos horários dos serviços geraram a maioria das queixas (42% do total).

Face ao cenário de perturbações registadas no sector dos transportes, o Portal da Queixa realizou uma análise onde verificou que, do dia 1 de janeiro até 31 de maio de 2022, as reclamações aumentaram 58%, em relação ao período homólogo de 2021, com o número de entidades visadas a subir para 51.v

O mês de junho arrancou com a paralisação da Rodoviária de Lisboa, greve dos trabalhadores das bilheteiras da CP e, no distrito de Setúbal, dos motoristas da nova Carris Metropolitana que, por desconhecerem os novos horários e percursos dos autocarros, fizeram uma paralisação espontânea, resultando numa interrupção de cerca de 90% das carreiras urbanas e interurbanas.

“Em junho, e face aos acontecimentos recentes, a Carris Metropolitana ganha destaque na fatia das reclamações dirigidas ao setor. Nos primeiros sete dias deste mês, o número de reclamações (56) representa já 48% do total endereçado às cinco subcategorias em análise”, segundo o Portal da Queixa.

Para a análise foram consideradas cinco subcategorias: bilhética e títulos de mobilidade, comboio e metropolitano, transporte marítimo, transporte rodoviário de passageiros e transportes coletivos de passageiros.

No relatório, verifica-se que é nas últimas subcategorias que está concentrado o maior volume de reclamações: transporte rodoviário de passageiros e transportes coletivos de passageiros, com 43% e 35%, respetivamente. Na subcategoria transporte rodoviário de passageiros o aumento de queixas registado foi de 140% e nos transportes coletivos de passageiros a subida foi de 32%.

Entre os principais motivos das reclamações, destacam-se os atrasos e problemas nos horários dos serviços (42% das queixas), dificuldades na compra e/ou reembolso (24%), falhas no apoio e assistência ao cliente (17%) e falta de manutenção de equipamentos e espaços (9%).

Na lista das dez entidades com maior número de reclamações em 2022 figuram a Rede Expressos (+39%), FlixBus (+773%), TST – Transportes Sul do Tejo (+50 %), CP – Comboios de Portugal (+8%), CARRIS (+28%), Vimeca Transportes (+438%), Rodoviária de Lisboa (+200%), Metro do Porto (+88%), Scotturb (+63%) e Metro de Lisboa (-23%) — a única entidade cujas reclamações diminuíram face a 2021.

Junho deverá ficar marcado por mais perturbações nos transportes, em concreto, da CP e do Metropolitano de Lisboa. Os sindicatos do Metropolitano de Lisboa avançaram com pré-avisos de greve, que podem coincidir com os Santos Populares e com o Rock in Rio, festival que decorre nos dias 18, 19, 25 e 26 de junho.

Nos aeroportos, a greve de trabalhadores da empresa Portway Handling de Portugal a 11, 12, 24 e 25 de junho. Também os trabalhadores da EMEL (Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa) equacionam realizar uma greve de 24 horas no dia 9 de junho.

Os trabalhadores da Transtejo decidiram realizar uma greve nos dias 11 e 12 de Junho. Os trabalhadores da Soflusa anunciam greve nos dias 12 e 13 de junho.

No Norte, greves parciais no serviço de autocarros da STCP (Sociedade de Transportes Coletivos do Porto). O pré-aviso de greve parcial abrange as últimas quatro horas de serviço entre os dias 20 de junho e 31 de outubro.

Greve parcial dos trabalhadores da Atlantic-Ferries/Sonae, que garante a ligação Setúbal-Tróia, nos dias 11 e 12 de junho.

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