Carteira de investimentos representa em média 50% das emissões das seguradoras, diz BCG

Segundo o estudo, muitas seguradoras têm concentrado esforços nas suas operações internas e na melhoria da sua eficiência energética, mas estes representam em média apenas 5% da sua pegada de carbono.

O novo estudo da Boston Consulting Group (BCG), intitulado “The Net-Zero Insurer”, afirma que a neutralidade carbónica não é apenas um imperativo climático, mas também empresarial. “Isso exigirá que os ativos mais poluentes das várias indústrias sejam reequipados, desmantelados ou vendidos a favor de soluções de baixo impacto carbónico e de tecnologia limpa. Globalmente, esta transição exigirá um investimento de até 150 mil milhões de dólares”, refere a BCG.

Segundo o estudo, muitas seguradoras têm concentrado esforços nas suas operações internas e na melhoria da sua eficiência energética. Mas, estas representam em média apenas 5% da sua pegada de carbono.

“O mercado de seguros está numa posição nevrálgica para promover esta transformação”, diz a consultora.

“As seguradoras fornecem proteção contra a suspensão do negócio, acidentes de trabalho e aos colaboradores das empresas, sendo por isso uma peça chave para o funcionamento de todos os setores”, defende a BCG que acrescentam que estas podem, por isso, “ajudar as empresas a acelerar o seu caminho para a neutralidade carbónica na forma como estabelecem os preços, oferecem aconselhamento e gerem os pagamentos de sinistros. Esta política, em última instância, é benéfica não só para o planeta, mas também para a prosperidade das seguradoras a futuro”.

“Neste contexto serão necessárias clareza e objetividade sobre quais as prioridades e áreas de atuação, defende a BCG que diz que “até à data, as seguradoras têm concentrado os seus esforços nas suas operações internas e de IT, tomado medidas para melhorar a eficiência energética e reduzir as emissões nos seus escritórios. Mas estas representam, em média, menos de 5% da pegada de carbono da sua atividade”.

Em contraste, a sua carteira de investimentos representa tipicamente entre 50% e 55% da sua produção de emissões. Para obter um impacto real a curto prazo, é importante alargar os esforços à carteira de investimentos, que representa 50% a 55% da sua produção de emissões, e à gestão de sinistros e processo de subscrição, que constituem 35% a 40%.

“A maioria dos investidores, reguladores, clientes e colaboradores reconhecem que a descarbonização é um processo complexo e multianual. A crescente consciência dos impactos negativos das alterações climáticas tem tornado os agentes deste mercado mais ávidos de mudanças profundas – as seguradoras que estão à frente neste caminho comprometem-se abertamente a detalhar as suas ações e serão percecionadas com mais seriedade e legitimidade neste tema”, afirma na nota Pedro Pereira, Managing Partner da BCG em Portugal.

Uma estratégia de neutralidade carbónica “pode mesmo permitir uma vantagem competitiva”.

“Os clientes estão a deixar claro que preferem alternativas com baixo teor de carbono, de forma transversal, mas também em seguros. Os primeiros a antecipar a forma como os mercados estão a evoluir serão capazes de fixar melhores preços e fornecer aos clientes os serviços mais relevantes. Adicionalmente, seguradoras com uma postura neutra em carbono mais ativa no mercado podem também atrair novos financiamentos”, refere a consultora.

“Entre os enablers críticos neste âmbito estão a comunicação e governance das seguradoras”. A BCG defende que “é essencial que exista um plano formal de comunicação e de elaboração de relatórios que contemple a estratégia de descarbonização da seguradora. As partes interessadas procurarão organizações para delinear e implementar uma política de emissões net-zero no seu próprio negócio e em toda a sua cadeia de valor e, por isso, a transparência é fundamental”.

O cumprimento dos compromissos globais de neutralidade carbónica em 2050 exigirá um caminho bem delineado por parte das seguradoras. “Para o bem do planeta e para proteger os seus próprios resultados, as organizações devem definir globalmente uma estratégia integrada que lhes permita acelerar o ritmo de transição para a neutralidade carbónica dentro dos seus próprios negócios e através das suas esferas de influência”, lê-se no comunicado.

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