Casinos em realidade virtual falham em impedir crianças de jogar

Ao contrário do que acontece nos casinos reais, no mundo da Realidade Virtual não há porteiro nem mecanismos que exijam a confirmação da idade. Assim, qualquer pessoa que possua um headset de RA pode entrar, jogar e partilhar a mesa com pessoas de qualquer idade.

Foto: Cristina Bernardo

A proibição de menores de 18 anos nos casinos parece ainda não ter chegado ao mundo da realidade virtual (RV). Segundo uma reportagem da “Bloomberg”, divulgada esta semana, é possível entrar numa mesa de póquer virtual e jogar ao lado de uma criança de dez ou onze anos, sem que haja qualquer tipo de controlo sobre o dinheiro envolvido.

Ao contrário do que acontece nos casinos reais, no mundo da RV não há porteiro, nem mecanismos que exijam a confirmação da idade. Assim, qualquer pessoa que possua um headset de RV pode entrar, jogar e partilhar a mesa com pessoas de qualquer idade.

O casino em questão, o Pokerstars VR, propriedade da Flutter Entertainment, com sede em Dublin, está por isso obrigado a seguir as regras apertadas da UE sobre o jogo online. No entanto, perante os testemunhos da “Bloomberg”, não é isso que se verifica. Lançado em 2018, tem cerca de 40 a 50 mil jogadores diários e para jogar é necessário o equipamento de realidade virtual, incluindo os produtos Oculus Rift, Quest da Meta, ou o Vive da HTC.

O repórter da “Bloomberg”, entrou numa das mesas do Pokerstars VR e, para sua surpresa, um dos jogadores sentado ao seu lado tinha uma voz aguda demais para ser considerado maior de idade, apesar de ser insuficiente para tirar conclusões finais. No entanto, após alguns minutos de jogo, no desenrolar de uma conversa trivial, o jovem comentou que frequentava o quinto ano de escolaridade, o que significa que estaria numa faixa etária inferior ao recomendado por lei.

Um porta-voz do Flutter, perante as acusações, disse que “existe uma abordagem de tolerância zero para qualquer jogador que viole os nossos Termos de Serviço e Padrões da Comunidade, ignore a nossa classificação etária, use linguagem tóxica ou se comporte de forma inadequada”. O que poderia levar a uma proibição permanente de todos”.

“Estamos a investir para aumentar a segurança dos jogadores, incluindo o lançamento de ferramentas baseadas em IA para apoiar os nossos moderadores, e estamos a trabalhar em estreita colaboração com a Meta e outros parceiros de tecnologia para aumentar continuamente os padrões”, garante o responsável da Flutter.

A Meta, proprietária do Facebook e Instagram, é a maior fabricante de headsets de realidade virtual do mundo, com 80% de participação de mercado, de acordo com a empresa IDC. Um dos requisitos da Meta para utilização dos headsets sugere que os utilizadores tenham 13 ou mais anos de idade.

Os reguladores de jogos de azar impuseram restrições estritas de idade para apostar com dinheiro, com o mínimo em Portugal a ser os 18 anos, seguindo a mesma lógica utilizada para os casinos reais. Em contrapartida, jogar póquer virtual sem dinheiro envolvido, é classificado como mais um videojogo e não é ilegal em Portugal, Reino Unido ou nos EUA.

O Pokerstars VR deixa claro aos utilizadores antes de entrarem no casino virtual que os jogadores devem ter 18 anos ou mais para jogar. A empresa nomeia moderadores e os jogadores podem denunciar outros que suspeitem serem menores de idade. A Spandan emprega cinco moderadores em tempo integral, mas planeia contratar mais.

O outro jogo de apostas desportivas disponível no Meta’s Oculus é o Poker VR, onde qualquer pessoa com mais de 13 anos é bem-vinda de acordo com os Termos de Serviço. Nenhum dos títulos permite que as pessoas joguem com dinheiro real, mas o Pokerstars VR cobra por fichas virtuais adicionais e itens decorativos como armas e brinquedos. As análises de ambos os títulos na Oculus Store e no serviço de jogos Steam aparentemente revelam reclamações de utilizadores sobre salas cheias de jogadores com menos de 18 anos.

“É incrivelmente preocupante”, disse Andy Burroughs, responsável de política online de segurança infantil da Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças do Reino Unido. “O dano aqui está na exposição a material impróprio para a idade, exposição a experiências impróprias para a idade.”

Embora o dinheiro seja virtual, Burroughs esclarece que “pode socializá-los em hábitos de jogo e correr o risco de normalizar este comportamento. Mas também sabemos que as moedas virtuais são um caminho para a exploração e conhecemos esse abuso”.

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