Caso BES: Joaquim Goes diz que procurou defender banco e clientes em contexto “particularmente adverso”

O ex-administrador executivo do BES Joaquim Goes disse hoje no parlamento que sempre procurou defender o banco e os seus clientes no “limite” das suas possibilidades e num contexto “particularmente adverso”. “Num contexto particularmente adverso, com sucessivas mudanças de enquadramento, e em face de situações de evidentes conflitos de interesse que se foram agravando ao […]

O ex-administrador executivo do BES Joaquim Goes disse hoje no parlamento que sempre procurou defender o banco e os seus clientes no “limite” das suas possibilidades e num contexto “particularmente adverso”.

“Num contexto particularmente adverso, com sucessivas mudanças de enquadramento, e em face de situações de evidentes conflitos de interesse que se foram agravando ao longo do tempo, procurei sempre, e até ao limite das minhas capacidades, defender o interesse do banco e dos seus clientes”, vincou.

Joaquim Goes falava na comissão parlamentar de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES), onde está a ser ouvido desde as 09h00 e apresentou aos deputados uma declaração inicial de cerca de 30 minutos.

A defesa do banco e clientes, advogou, “passou pela cooperação estreita, permanente e leal, com o regulador e com os auditores externos e pela permanente articulação” com os seus colegas membros das comissões criadas, com a comissão de auditoria do BES e “com todo” o Conselho de Administração do banco.

Sobre o seu papel em todo o processo, o ex-administrador disse que esteve envolvido no ETRICC 2, isto é, o exercício amplo de avaliação de ativos e exposição do BES solicitado pelo Banco de Portugal.

“Nesse contexto, fui informado pelas equipas do banco, em finais de novembro de 2013, da real dimensão do passivo financeiro da ESI, tendo, imediatamente, ficado para mim clara a gravidade da situação. Após a carta de 03 de dezembro do Banco de Portugal (BdP), fui designado pela Comissão Executiva do BES para acompanhar um conjunto de iniciativas, no quadro das determinações do Banco de Portugal, relativamente a esta matéria”, realçou.

Goes sublinhou perante os deputados que sempre teve “respeito institucional” pelo BdP e as suas decisões.

E acrescentou: “Independentemente das minhas opiniões, para mim sempre foi muito claro que as decisões do BdP se sobrepunham a quaisquer outras considerações. É neste sentido que se compreende a forma como procurei colaborar e partilhar informação com o Banco de Portugal, nomeadamente com a direção do departamento de supervisão”.

Na sua intervenção no arranque da audição, Goes dividiu as suas palavras por quatro pontos: primeiro focou-se na evolução da relação BES/GES de setembro 2013 a julho 2014, depois deu a sua interpretação dos factos, de seguida revelou a sua intervenção neste processo e os princípios que a nortearam e, por fim, teceu algumas considerações finais.

Hoje é o último dia de trabalho do ano para a comissão parlamentar: além de Joaquim Goes, à tarde será ouvido Rui Silveira, também outrora administrador executivo do banco.

Os trabalhos dos parlamentares têm por intuito “apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades”.

OJE/Lusa

Recomendadas

Prémio “João Vasconcelos – Empreendedor do ano 2022” atribuído aos fundadores da Coverflex

O prémio de “Empreendedor do Ano” foi entregue pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e por Bernardo Correia, Country Manager do Google Portugal, entidade parceira desta edição.

Empresa aeronáutica prevê 6 milhões para começar a produzir aviões em Cabo Verde

“Venho elaborando este projeto já há dois anos, criei a empresa Aeronáutica Checo-Cabo-verdiana, empresa que irá produzir os aviões da Orlican e Air Craft Industries em Cabo Verde”, afirma Mónica Sofia Duarte.

BPI e FCT financiam 20 projetos e nove ideias para o desenvolvimento sustentável no Interior

A edição de 2022 do Programa Promove, uma iniciativa da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI e em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), concedeu apoios a fundo perdido de perto de 3,6 milhões a um total de 20 projetos e nove ideias destinados a impulsionar o desenvolvimento sustentável de regiões do interior de Portugal.