Os casos. Contra corrente em jeito de editorial

É fácil um jornalista ceder à tentação da notícia falsa. Basta citar fontes próximas, ler documentos truncados, aceitar cartas anónimas ou denúncias sobre situações que não domine. Mais fácil, só não escrever. OJE é um jornal pequenino, com pouca gente na redação e cometerá erros, com certeza. O país está a ferro e fogo, os […]


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É fácil um jornalista ceder à tentação da notícia falsa. Basta citar fontes próximas, ler documentos truncados, aceitar cartas anónimas ou denúncias sobre situações que não domine. Mais fácil, só não escrever.

OJE é um jornal pequenino, com pouca gente na redação e cometerá erros, com certeza. O país está a ferro e fogo, os delatores anónimos grassam, as lutas entre supostas lojas maçónicas e apoiantes da Opus Dei alimentam os “gossips”, os diversos lóbis e comentadores exercem as suas pressões e a vontade de ter “cachas”, de aumentar a tiragem ou as vendas, ou de crescer nas audiências fazem com que a liberdade, que deve ter como um dos mais fortes pilares a defesa da verdade, esteja permanentemente na corda bamba. Tudo faz lembrar um daqueles decrépitos circos em que o apresentador diz, repetidamente: “Cuidado Lenita, estás a trabalhar sem rede”.

Nos últimos dias, tem-se assistido a um corrupio de ataques à integridade de pessoas e instituições, apenas porque há eleições nas segundas e são candidatas às mesmas as primeiras. Antigamente – e o OJE sabe que a tradição já não é o que era -, havia ataques, por vezes “assassinos”, à integridade moral de cada um, mas tinham assinatura. Antigamente, havia o hábito de os jornalistas procederem ao contraditório, isto é, de darem a quem é acusado por um terceiro a oportunidade de se defender. Os tempos mudaram e as limitadas redações (em número de falta de senioridade dos jornalistas), bem como a urgência do tempo de hoje – que se mede pela velocidade da internet – impuseram novas regras. O contraditório fica guardado nas gavetas, muitas das vezes a inteligência é mais lenta que a dos computadores, a necessidade de ser o primeiro tolda o raciocínio e faz-se disparate.

Servem-se interesses que não são os da verdade e da liberdade de informação, deixa-se que as agências de comunicação e os assessores de imprensa falem e pensem por nós e, muitas vezes, faz-se um mau jornalismo.

Não é fácil a um jornalista escrever esta peça. As corporações – e a nossa, como a dos médicos e a dos advogados, entre outras – funcionam como lóbis daqueles que mencionámos inicialmente e raramente, mesmo muito raramente, se dão ao trabalho de uma autocrítica e ainda mais raramente se declaram culpados. Nos jornalismos económico, desportivo e político, por exemplo, cometem-se erros e injustiças todos os dias. Aos visados é legalmente garantido o direito de resposta e alguns meios boicotam-no até à exaustão. Aos visados nunca é garantida a mesma exposição na defesa que aquela que lhe é dada quando o ataque lhes é feito. E depois os jornalistas admiram-se que alguém diga, embora à boca pequena, porque têm medo de o dizer frontalmente, que o jornalista A, o jornal B ou a televisão C estão comprados ou ao serviço de “amiguismos”, etc, etc. O OJE assume hoje que, em caso de erro comprovado em peças de autoria dos seus jornalistas, dispensa recursos a obrigações legais para permitir que, quem se sinta lesado, se defenda. Porque a liberdade e o direito à verdade não têm de ser impostos. Pela mesma razão que entendemos ser vergonhosa a mordaça que foi posta ao Correio da Manhã no caso Sócrates, cremos que só se conquista a liberdade se as nossas páginas forem livres. Denúncias anónimas não as aceitaremos, mas os últimos dias têm sido férteis nessa matéria.

O OJE analisou os ataques feitos ao Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários, à Administração da Associação Mutualista Montepio Geral e à Misericórdia de Setúbal. Três casos de instituições de sucesso que têm sido sujeitas a um ataque em vários meios de comunicação social sem identificação de fonte. Os ataques incluem um truque muito em voga que é a denúncia anónima para o Ministério Público. Como este “abre inquérito” sem quase ler o que nas mesmas é dito, Portugal está a transformar-se num país de bufos. Foi assim no tempo da PIDE e alguma imprensa está a colaborar para que seja assim agora. E depois queixam-se dos “Sócrates da vida”.

O caso do Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários
É um sindicato forte, independente, que cimentou a sua operação num serviço – SAMS Quadros – de assistência à saúde de grande qualidade, que desenvolveu atividades diversas para não ficar na dependência das quotizações dos sócios, que criou duas fundações e construiu património imobiliário e de prestação de serviços de grande qualidade. Conta hoje com 17.500 sócios e mais de 50.000 beneficiários, tem um turnover de mais de 50 milhões de euros ano, contas auditadas, resultados positivos e atende os sócios como nenhum outro. Pois bem, uma das fundações, por uma tecnicalidade, foi declarada nula e iniciou-se o processo de reintegração dos bens dessa fundação no Sindicato. Denúncias anónimas que se diz terem origem em sócios que dizem ser fundadores, em outros que têm processos judiciais com sentença transitada em julgado, de índole pessoal muito grave, denúncias provindas de colaboradores do dito sindicato que não aparecem ao serviço há mais de três anos, todas elas têm visto a luz do dia sem sustentação por provas objetivas. E quando o sindicato se quer pronunciar nunca tem eco. O OJE vai defender a verdade e vai dar voz a quem a não tem. Porque o OJE é um jornal que é muito lido por bancários, o presidente do SNQTB e os que o desafiam terão oportunidade de responder a questões diretas. Na primeira pessoa. Sem denúncias anónimas e responsabilizando-se cada um pelo que diz. Dia 20 não perca o seu OJE.

O caso do Montepio – Associação Mutualista
Mais um caso de uma entidade e de dirigentes mal-amados pela imprensa. Basta qualquer desqualificado falar para que se julgue quem trabalha e apresenta resultados. Durante mais de um ano, muitas vezes com a conivência das entidades reguladoras, a reputação do Montepio (Associação Mutualista e Caixa Económica) foi minada diariamente na imprensa. Inventaram-se auditorias, queixas crime, negócios ruinosos, ofenderam-se dirigentes, honras pessoais e integridades de equipas de gestão, sempre em nome de projetos de conquistas de poder vindas de gente desqualificada, de criminosos, em alguns casos, que reúnem ritualmente em bares e restaurantes da cidade e que planeiam tomadas de poder para dominar o país. Mitómanos das mais diversas índoles, instrumentos uns dos outros conforme os ventos que correm, encontram no jornalismo fácil caixas de ressonância para as suas mais refinadas malandrices.

Passado todo este tempo em que a grande maioria dos bancos portugueses esteve falida – tecnicamente, todos os que pediram dinheiro ao Estado estavam numa situação de falência -, o acionista Associação Mutualista manteve a participada Caixa Económica como o único banco de capital português sem intervenção estatal. E não há uma linha em qualquer jornal, até hoje, que diga toda a verdade.

É bom conhecer a verdadeira história de Eugénio Rosa ou de José Braga Gonçalves, que está por detrás de um empresário da área financeira, António Godinho. Tomás Correia também não escapa à análise.

O caso da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal
Mais um ataque traiçoeiro em que alguns meios de comunicação social caíram, embora um deles, a TVI, tenha percebido o erro e tenha procedido como se deve fazer em jornalismo: permitir o contraditório. O Provedor recandidata-se a eleições no próximo dia 26 de novembro. A gestão é auditada por todas as entidades que tem que ser, inclusivamente pelo ministério da tutela. Mas eis que um aspirante a político resolve usar a maledicência para denegrir a honra do Provedor e perturbar o funcionamento de uma instituição de referência numa terra em que a solidariedade social tanta falta faz. Mas o Provedor, ao contrário de muitos, não se calou. Procurou amigos que lhe dissessem o que fazer e estes explicaram que a desonestidade não está principalmente no jornalismo. Está na maioria das fontes e seus intermediários que, sem olhar a meios, tudo fazem para atingir os seus fins. Neste caso, mais denúncias anónimas voltam a surgir quatro anos depois de uma queixa do género ter sido arquivada pelo Ministério Público. O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal far-se-á ouvir em liberdade neste seu OJE de dia 20 de novembro, através de um artigo que aceitou escrever.

Editorial pela verdade
O OJE venderia mais se embarcasse nas mesmas histórias fáceis que outros escolhem aceitar. Mas a liberdade só se consegue com justiça e o país não pode dividir-se entre delatores e denunciados. Não podemos voltar aos tempos da inquisição ou da PIDE, dos nazis ou dos estalinistas.

O crime tem de ser castigado (quem sabe mais severamente do que é), mas a justiça não se compadece com processos sumários ou julgamentos por linchamento – seja físico, seja reputacional – na praça pública. E os meios de comunicação social não são tribunais. Devem, sim, ter coragem para denunciar quem lhes mente, quem os induz em erro. E, tanto quanto isso, ter coragem para reconhecer os seus próprios erros e ganhar, assim e outra vez, o respeito dos leitores. Talvez desta maneira reconquistemos velhos públicos e conquistemos as gerações da internet. Do nosso lado, saberemos ouvir e escrever a verdade, mas a nossa pena não deixará de ser veemente se nos sentirmos enganados.

Por Vítor Norinha/OJE

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