Catalunha. Independentistas ganharam. E agora?

O parlamento catalão terá uma maioria independentista. A grande questão é saber como irão preparar o processo de independência. A declaração oficial só deverá acontecer daqui a três anos. Uma eventual Catalunha independente não quer ficar de fora da União Europeia e do euro, mas as regras de Bruxelas são rígidas. A Catalunha irá sair, […]


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O parlamento catalão terá uma maioria independentista. A grande questão é saber como irão preparar o processo de independência. A declaração oficial só deverá acontecer daqui a três anos. Uma eventual Catalunha independente não quer ficar de fora da União Europeia e do euro, mas as regras de Bruxelas são rígidas. A Catalunha irá sair, solicitar a entrada e esperar que todos os Estados-membros aceitem. Levará anos.

As eleições deste domingo não se destinaram à proclamação da independência, mas estão a ser entendidas como um referendo e as primeiras projeções da TV3 da Catalunha dão uma clara vitória à lista independentistas Juntos pelo Sim, que poderá chegar aos 66 lugares no parlamento catalão. Ainda longe de maioria absoluta num parlamento de 135 lugares, a maioria absoluta será possível numa eventual coligação com o partido de esquerda Candidatura de Unidade popular, e pelas projeções existentes poderão chegar aos 79 deputados.

A grande novidade deste ato eleitoral foi o facto de a maioria dos grupos pró-independência se ter coligado, sob o nome Junts pel Sí (unidos pelo sim), e por esta plataforma política, que inclui o atual presidente Artur Mas, ter transformado as eleições regionais num referendo à independência. Refere Steven santos, gestor do BIG que com uma afluência forte às urnas, os catalães legitimaram um governo que deverá ser extremamente duro nas negociações com Madrid e exigir mais direitos, embora a independência me pareça ser um cenário remoto.

A Catalunha tem cerca de 16% da população espanhola, mas representa cerca de 19% do Produto Interno espanhol e 25% das exportações. Fatores económicos, mas também sociais e históricos colocaram a maioria dos votantes da Catalunha na rota da pró-independência. A vitória deste domingo dos partidos pró-independência realça as ambições separatistas da região. Recorde-se que o governo central impediu um referendo vinculativo, o que deu maior importância e cativou os eleitores para este domingo.

O próximo passo é o arranque de um processo de negociações, com vista à criação de um Estado independente da Catalunha. A intervenção na política monetária e fiscal é um dos objetivos dos vencedores destas eleições. Esperam criar um banco central dentro de 18 meses, sendo que pretendem emitir moeda e em simultâneo negociarem para se manterem nas estruturas da UE! Pretendem intervir a nível da justiça e das relações externas. Estas são as ideias do partido mais votado mas, para conseguir estes objetivos terá de se coligar.

Outra alternativa, defendida por partidos de esquerda que querem manter a ligação a Madrid passa pela alteração constitucional, permitindo a criação de um Estado federal. Evitar a secessão vai ser o desafio que se coloca a partidos como o PSOE e o Podemos. É possível, segundo constitucionalistas que a alteração da Constituição obriga a um referendo nacional, já que o diploma existente é de 1978 e foi referendado por 92% dos catalães. “Acredito que os resultados destas eleições poderão levar a mais concessões na autonomia, mas não à separação”, diz Steven Santos.

Política a rodos
As legislativas espanholas de dezembro terão a secessão da Catalunha ou a criação de um Estado federal como temas de debate. O grande argumento de Madrid que não convence os catalães, é que após a secessão estarão automaticamente fora da UE e para entrarem terão de solicitar a adesão, o que obriga à aprovação por todos os Estados-membros. Este é um processo que levará anos e daí que o eventual futuro Governo da Catalunha fala em cunhar moeda, pois sair da UE significa sair da zona euro.

Claro que há outros perigos como a perda de fundos comunitários e as dificuldades de financiamento, enquanto o nível de desemprego irá disparar, pois grandes empresas espanholas com sede na Catalunha irão procurar locais dentro do espaço da zona euro. Estes receios não afastam a maioria dos 7,5 milhões de catalães que querem ter o seu próprio país.

Entretanto, num comunicado conjunto, o CaixaBank, o Sabadell, o Santander e o BBVA ameaçaram, este mês, sair da Catalunha caso fosse declarada a independência da região, o que poderá pressionar as suas ações amanhã, refere o analista do BIG. O mercado acionista tem reagido mal ao cenário de turbulência política dentro de Espanha, se considerarmos que as seis empresas do IBEX 35 que estão sediadas na Catalunha caíram este ano cerca de quatro vezes mais do que o IBEX 35. O CaixaBank, que é acionista de referência do BPI, e o Sabadell, que é acionista do BCP, estão a negociar em mínimos anuais, tal como a construtora FCC, por terem elevada exposição à Catalunha e a Espanha. As farmacêuticas Grifols e Almirall são exceções notáveis ao registarem valorizações positivas em bolsa, justificadas pela elevada diversificação geográfica da sua atividade.

Na sexta-feira, o IBEX 35 terminou a sessão pouco acima do intervalo entre os 9300 e os 9500 pontos, que é uma zona técnica de suporte particularmente importante para o índice, uma vez que une vários mínimos importantes desde Dezembro de 2003. Se o IBEX 35 quebrar abaixo desta zona com elevado volume transacionado, poderá sofrer quedas adicionais, sendo que o próximo suporte relevante situa-se apenas nos 8900 pontos, isto é, 6,5% abaixo da cotação de fecho de sexta-feira.

“As obrigações catalãs sofrem pressão vencedora desde o início de agosto, altura em que Mas apresentou as diretrizes gerais do seu programa independentista. Toda a valorização registada por estas obrigações no início de 2015 e que foi motivada pelo plano agressivo de compras do BCE foi anulada pela deterioração do sentimento dos investidores relativamente ao acentuado risco político. As obrigações da Generalitat de Catalunya com vencimento em Junho de 2018 fecharam a sessão de sexta-feira a cotar nos 105,6%, próximo dos mínimos do início de 2014 e muito abaixo do máximo anual nos 110,08%, traduzindo o prémio de risco exigido pelos investidores. Embora a desvalorização das obrigações catalãs possa ter sido exacerbada pela baixa liquidez dos títulos, a dívida italiana tem tido um desempenho positivo nos últimos meses. Aliás, o diferencial entre as yields de Espanha e de Itália está no nível mais alto desde 2003, apesar de os fatores fundamentais serem mais otimistas em Espanha, sendo que este desfasamento se deve ao risco político, conclui o BIG”.

Por Vítor Norinha/OJE

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