Catalunha novamente ameaçada com a interrupção da autonomia

Governo socialista acena com a possibilidade do regresso do artigo 155 – o que provocará eleições antecipadas na região. O perigo de essa antecipação se dar a nível nacional é cada vez maior.

Contra todas as expectativas – criadas pelo chefe do governo, Pedro Sánchez, a quando da sua investidura – os problemas entre o governo central de Espanha e o da autonomia catalã estão novamente numa fase de pré-ruptura muito semelhante àquela que se viveu no ano passado, quando o PP, Mariano Rajoy e Carles Puigdemont ainda eram os protagonistas.

Depois de semanas de grande tensão entre os dois governos – com o líder da Catalunha, Quim Torras, a viajar para a Bélgica, onde se encontrou com o ‘foragido’ Carles Puigdemont – Sánchez não podia ser mais claro, quando já esta semana endureceu a sua posição sobre Catalunha ao avisar que não vai tolerar a violação da Constituição, nem aceitar propostas que insistam na independência.

“Não aceitarei uma nova violação da Constituição na Catalunha”, advertiu Sánchez, que não se coibiu de advertir que poderá avançar para medidas restritivas da liberdade política do governo catalão – o que, por outras palavras, quer dizer que o PSOE (que tanto criticou o PP em devido tempo) pode fazer regressar a aplicação do artigo 155, que suspende a autonomia.

Se isso acontecer, o mais provável é que a Catalunha volte a ter de passar por mais umas eleições antecipadas, com toda a instabilidade política (e não só) daí decorrente. O PP e o Ciudadanos têm insistido com o PSOE para que avance com essa medida – num quadro em que Torras tem dado mostras de estar a deixar derrapar os acontecimentos para uma situação em que essa alternativa poderá ser a única resposta possível do poder central.

Há várias semanas que o impasse está a ser mantido pelo governo da Catalunha – que parece estar apostado no extremar de posições entre os dois lados do problema. Torras está a usar o momento mais difícil do PSOE – acossado por todos os lados depois da derrota averbada na Andaluzia – para provocar um confronto.

Os independentistas falam com insistência na repetição do referendo sobre a independência, mas Sánchez já disse que não o autorizará – ou antes, que não lhe dará qualquer suporte político, dado que ele é inevitavelmente ilegal por via da Constituição, e contrapõe medidas que permitam o “desenvolvimento e aperfeiçoamento” do governo autonómico.

Torras, por seu turno, prefere não ouvir: tem deixado que as ruas se encham de independentistas e não tem chamado a polícia local a controlar os manifestantes, o que fez com que o governo tivesse que intervir – numa área onde a sua competência costuma ser desnecessária.

Como não podia deixar de ser, Pedro Sánchez está a pagar uma pesada fatura política com o aumento do conflito com a Catalunha. O socialista deixou no ar, quando assumiu o governo, que seria bem mais capaz que o seu antecessor Mariano Rajoy de encontrar uma solução para o problema – o que está a revelar-se falso.

A juntar a todos os outros ‘casos’ que têm ensombrado a sua prestação na chefia do governo – e com o episódio mais recente da Andaluzia – Sánchez está a ficar sem margem de manobra política e o ‘fantasma’ de eleições antecipadas continua a rondar o seu executivo. Com o Vox a tento a todas as movimentações – porque sabe que nas próximas eleições pode debutar na câmara nacional.

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