Católica revê crescimento de Portugal em baixa para os 4%. Economia só terá crescido 0,2% no início do ano

O grupo de investigação económica da Católica Lisbon prevê que o BCE tenha dificuldades em lidar com a inflação na zona euro no médio prazo, projetando que o indicador acelere até aos 5,0% este ano em Portugal e assuma “um ponto central em torno dos 2,5% no horizonte de 2024”.

Universidade Catolica

O grupo de investigação económica da Católica-Lisbon cortou as projeções de crescimento para este ano em 0,3 pontos percentuais (p.p.), dado o impacto da guerra na Ucrânia na economia mundial, e estima que o país tenha crescido apenas 0,2% no primeiro trimestre de 2022.

O NECEP, grupo de investigação aplicada que trabalha no âmbito do Centro de Estudos Aplicados da Católica Lisbon, destaca o “custo anualizado entre 0,5 e 2,0 pontos percentuais, tendo em conta os efeitos nos preços da energia e na balança externa,” da invasão russa na economia nacional. Porém este valor é amortecido pelos fundos europeus que Portugal receberá no futuro próximo.

Além disso, o crescimento no primeiro trimestre já foi afetado, sendo estimado em apenas 0,2% apesar da recuperação que se vinha a sentir na economia portuguesa, em linha com o resto da zona euro depois dos meses complicados da pandemia.

“Os efeitos das políticas económicas usadas pela generalidade dos países desenvolvidos durante os dois últimos anos manifestavam-se em várias dimensões, nomeadamente na subida dos preços da energia, na inflação e numa perspetiva de subida das taxas de juro”, sublinha a nota desta quarta-feira do NECEP, um cenário que foi abruptamente interrompido pelo conflito no leste europeu.

Portugal deverá ter ficado num “nível equivalente a 98,8% do quarto trimestre de 2019, o último período sem os efeitos da pandemia”, ainda que o grupo de investigação da Católica reforce que esta estimativa está envolta em incerteza.

Quanto à inflação, esta é revista em significativa alta, passando de 2,0 na anterior projeção para 5,0 no mais recente cenário central. Para a zona euro, a estimativa passa por “um ponto central em torno dos 2,5% no horizonte de 2024”, com o NECEP a prever que “o BCE terá dificuldade em reduzir a inflação da zona euro a médio prazo”.

“Seria de esperar que a materialização dos riscos geopolíticos na Ucrânia e as necessidades de investimento em defesa, para proteger os países da União Europeia da ameaça russa, levassem os bancos centrais americano e europeus a moderarem a normalização da política monetária. Tal não está a acontecer devido aos fundados receios de que a inflação tenha componentes, não apenas transitórias, mas também permanentes”, acrescenta a nota.

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