Celebrar a Arquitetura

Entre os objetivos que a iniciativa Prémios Nacionais de Arquitetura FORMA se propõe alcançar, destaca-se a vontade de “valorizar e incentivar a boa arquitetura e que os arquitetos, promotores e construtores sejam cada vez mais exigentes”.

Outubro é o mês da arquitetura e os múltiplos eventos e atividades promovidos por ocasião do Dia Mundial da Arquitetura, a nível nacional, constituem por isso uma oportunidade de reconhecer a arquitetura como expressão de identidade e cultura coletivas, tendo em atenção as suas várias dimensões: educação, inclusão social e participação dos cidadãos no fazer território.

Mas não só. Também permite sublinhar e compreender o compromisso que o arquiteto tem com a sociedade, uma vez que a arquitetura faz parte da vida quotidiana das pessoas e determina em parte a qualidade das suas vidas.

Um dos marcos importantes, neste mês, foi a primeira edição dos Prémios Nacionais de Arquitetura FORMA, que se realizou na semana passada, uma parceria entre a  Ideas Forward – Plataforma de Arquitetura e a revista AP-Anteprojetos, com o apoio de instituições públicas, como o IHRU –  Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, e múltiplas empresas da área da construção. Um momento de reconhecimento tanto da vertente de projeto e da obra construída como, também, do ensino-investigação e da inovação em arquitetura.

A somar ao facto de ser um importante contributo para o cumprimento dos compromissos assumidos no artigo 66.º da Constituição da República Portuguesa e na implementação da  PNAP – Política Nacional de Arquitetura e Paisagem,  ou seja, valorizar a arquitetura, a paisagem e o património cultural construído como fatores estratégicos na promoção do bem-estar e da qualidade de vida dos cidadãos, e da sua participação no espaço público.

No total de 105 candidaturas, os prémios distinguiram cinco categorias e três menções especiais que contribuam para a criação e inovação na construção, a valorização da paisagem e a qualidade de vida das pessoas que habitam a arquitetura. Para o Arquiteto Pedro Hebil, coorganizador da iniciativa, os prémios “vieram preencher uma lacuna na premiação da arquitetura em Portugal (…) não se encerrando apenas nas candidaturas e na cerimónia de entrega mas suportado através de eventos organizados em universidades e outras instituições (…), promovendo uma discussão e aprendizagem informal sobre os temas das categorias apresentadas”.

Uma forte aposta na construção do futuro, nos jovens arquitetos(as) até 40 anos, mas sem esquecer o passado, através da valorização do mérito pessoal e profissional na arquitetura, como referência para os estudantes e para a comunidade, no prémio especial carreira.

Entre os objetivos que esta iniciativa se propõe alcançar destaca-se, como afirma o Arquiteto Hugo Merino Ferraz, diretor e fundador da IF – Plataforma de Arquitetura e coorganizador dos prémios, “valorizar e incentivar a boa arquitetura e que os arquitetos, promotores e construtores sejam cada vez mais exigentes”, e assim “pôr a arquitetura na ordem do dia, que seja falada, que seja exigida, que seja amada”.

A premiação evidencia o papel do arquiteto numa sociedade cada vez mais informada e ciente do direito “à arquitetura para as pessoas e não para as revistas”, como declarou o arquiteto Bartolomeu da Costa Cabral na cerimónia de entrega dos prémios.

Parabéns aos organizadores da iniciativa, aos premiados e à Arquitetura Portuguesa! Aguardamos com expectativa o anúncio da cidade que vai acolher a segunda edição dos prémios FORMA.

Recomendadas

A voz da metamorfose

Arquitetos e urbanistas são chamados a desenhar soluções criativas integradas em estratégias maiores, onde é dada voz a uma consciência social e política que tem especial atenção a contextos sociais diversificados.

Portugal perde com a Roménia e falha ‘final four’

As grandes transformações económicas e sociais de que o país precisa para corrigir a trajetória da divergência em relação à Europa não dependem da quantidade de dinheiros comunitários. Depende da conceção estratégica que se quer para Portugal.

Uma estagnação sem mistério

Nem numa área que é querida pelo Governo e que se tornou mais urgente e importante com a invasão da Ucrânia, a energia renovável, a administração pública funciona.
Comentários