Centeno confiante na estratégia do BCE para impedir fragmentação

O governador do BdP sublinhou que o Banco Central Europeu utilizará os instrumentos disponíveis para evitar uma crise da dívida soberana na zona euro, argumentando que este fará tudo para assegurar uma correta transmissão da política monetária.

Mário Centeno sublinhou esta quarta-feira a confiança na capacidade do Banco Central Europeu (BCE) para lidar com a subida dos juros na zona euro, argumentando que a história recente do banco mostra um compromisso claro com a transmissão adequada da política monetária e que os sinais dados serão suficientes para induzir disciplina no mercado.

O governador do Banco de Portugal (BdP) mostrou-se confiante na contenção da subida dos juros na zona euro, sublinhando que a normalização da política monetária tem vindo a ser preparada há largos meses. Por outro lado, existem “dentro dos procedimentos do BCE […] instrumentos para prevenir a escalada de taxas”, algo que os responsáveis do banco têm vindo a sublinhar repetidamente nos últimos tempos.

Recorde-se que o BCE se reuniu esta quarta-feira de emergência para discutir a subida dos juros em países periféricos e com rácios de dívida mais elevados, como Itália, Grécia, Portugal e Espanha. Os responsáveis pela política monetária europeia mostraram abertura para a criação de um novo mecanismo para evitar a fragmentação entre as dívidas soberanas europeias, mas sublinharam também o papel dos reinvestimentos do programa de emergência pandémica (PEPP).

“Muitas vezes, essa disciplina [sinalizada pelo BCE] pode ser ela própria suficiente para induzir estabilidade ao mercado”, considerou Mário Centeno na conferência de imprensa que se seguiu à divulgação no Boletim Económico do BdP de junho.

O governador do BdP afirmou ainda que as decisões de política monetária europeia deverão respeitar um certo gradualismo, o que se traduz em “ser sustentável, ser claro e transparente, ser adaptada à evolução das condições monetárias e financeiras”.

“Quando iniciamos um processo de subida de taxas, temos de entender que vai durar no tempo e vai ter de acomodar estas preocupações”, referiu o antigo ministro das Finanças, reconhecendo que “outros instrumentos devem existir para ajudar a garantir que a transmissão de política monetária não é colocado em causa”.

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