Centeno contraria tom em Davos com otimismo quanto à economia europeia

O governador do BdP discursou no Fórum Económico Mundial para se mostrar confiante numa surpresa positiva quanto ao crescimento da zona euro na primeira metade deste ano, rejeitando a hipótese de uma recessão causada pela subida de juros.

Ciaran McCrickard/FEM (arquivo)

Mário Centeno mostrou-se, esta terça-feira, otimista com o desempenho da economia europeia, antecipando mesmo que esta possa escapar à esperada recessão e em contraposição com a visão negativa da maioria dos gestores presentes no Fórum Económico Mundial, onde discursou.

O governador do Banco de Portugal (BdP) projetou que a zona euro consiga surpreender pela positiva, citando como fatores positivos a reabertura da China ou o alívio das dificuldades logísticas globais, o que dá esperança ao antigo ministro das Finanças que a temida recessão no início deste ano possa ser evitada.

“O primeiro trimestre na zona euro ainda deve ser positivo”, antecipou Centeno, ainda que reconhecendo o peso que, primeiro, a pandemia e, depois, a guerra na Ucrânia tiveram nas perspetivas económicas europeias. Outro sinal animador veio recentemente da Alemanha, onde se esperava uma contração no último trimestre, cenário que acabou por não se confirmar.

O efeito mais visível na vida real das populações foi a subida generalizada de preços, obrigando os bancos centrais a abandonar as políticas ultra-acomodatícias que vigoraram durante a Covid, e o compromisso com o controlo da inflação mantém-se, garante o governador do BdP. A ideia de uma recessão provocada pela subida das taxas de juro foi, no entanto, afastada, com Centeno a falar em “retoma”.

“A política económica na zona euro é agora uma fonte de estabilidade”, garantiu, elogiando também a emissão conjunta de dívida como “um dos maiores saltos para a integração” no bloco europeu. Quanto a uma possível instabilidade entre as dívidas soberanas da área euro causada pela subida de juros, o governador reforçou que foram retiradas lições de crises anteriores, estando agora a moeda única “mais forte” e “mais otimista”.

O tom de Mário Centeno contrastou com a generalidade dos discursos ouvidos até agora em Davos, na Suíça, onde se realiza o Fórum Económico Mundial, como de costume. Com o tema ‘Cooperação num Mundo Fragmentado’, o encontro realiza-se com uma incerteza económica em níveis não vistos em décadas como pano de fundo, com crises energéticas e alimentares em vários pontos do globo e uma pressão generalizada nos preços.

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