Centeno diz que país tem “dois a três anos” para corrigir aumento da despesa e da dívida

Governador do Banco de Portugal assinala necessidade de “transição face àquilo que foi o esforço das administrações públicas” durante a pandemia, apontando “dois a três anos” para ser concretizada.

Mário Cruz/Lusa

O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, disse que o país tem “dois a três anos” para corrigir o aumento da despesa e dívida registado no âmbito da resposta à pandemia.

“Há uma transição face àquilo que foi o esforço das administrações públicas no período pandémico em termos de dívida e em termos de despesa que, na nossa opinião, tem dois a três anos para ser concretizada”, disse, esta sexta-feira, em conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico, salientando ser este o período para fazer essa “correção”.

O governador do BdP realçou, contudo, que a despesa em percentagem do PIB aumentou, em grande medida, porque o PIB caiu.

Mário Centeno salientou que tal inclui retomar uma trajetória de endividamento sustentável para que no final de 2024 a dívida portuguesa possa estar em percentagem do PIB a níveis semelhantes aos de 2019.

No “Boletim Económico” de dezembro, publicado esta sexta-feira, o BdP está ligeiramente mais otimista sobre o crescimento da economia portuguesa no próximo ano e em 2023, esperando uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,8% e de 3,1%, respetivamente. O regulador bancário manteve a projeção para este ano e prevê que em 2024 a atividade económica irá situar-se cerca de 7% acima de 2019.

A instituição liderada por Mário Centeno assinala que a recuperação da atividade se irá traduzir num aumento do emprego e numa redução da taxa de desemprego para níveis inferiores aos pré-pandemia, prevendo que a taxa de desemprego se fixe em 6,6% este ano, em 6% em 2022 e 5,7% em 2023.

BdP melhora projeções de crescimento para 2022 e 2023

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