Centeno envia recado: BCE não deve reagir com “nervosismo” nos juros para não criar “instabilidade” na zona euro

Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, alerta que uma subida agressiva das taxas de juro pode trazer instabilidade e fragmentação na zona euro. Mas diz que não agir não é uma solução.

Cristina Bernardo

Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, afirma que a normalização da política monetária é necessária, mas é preciso garantir que isso não transmite um sinal de nervosismo, criando instabilidade e fragmentação da zona euro e, consequentemente, penalizando o crescimento económico. Por outro lado, alerta o governador do Banco de Portugal, “não fazer nada também não é uma solução”.

“A normalização da política monetária é necessária e desejável”, disse Mário Centeno no Fórum Banca, promovido pelo Jornal Económico e pela PwC, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, esta sexta-feira. “Mas deve ocorrer em condições de forma a que ela própria [política monetária] não se torne numa razão para a instabilidade”, sublinhou.

“São os decisores políticos que” oferecem um “ingrediente que muitas vezes falta nas nossas sociedade”, que é “a paciência”, referiu ainda, notando que “a paciência e o gradualismo da política monetária são necessários e devem ser proporcionais aos choques que enfrentamos”.

Segundo Centeno, a “política monetária não deve sobre reagir”, naquele que seria visto como “um sinal de nervosismo”. Isso, referiu, criaria “instabilidade e fragmentação da área do euro”, com uma “reação intempestiva a influenciar o crescimento económico”.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, admitiu na quarta-feira, citada pela “Bloomberg”, que a subida das taxas de juro na zona euro pode ter início “semanas” depois do fim do programa de compra de ativos. Isto significa que o primeiro aumento em muitos anos pode acontecer na reunião de política monetária agendada para o dia 21 de julho.

Apesar de pedir uma ação gradual na subida das taxas de juro, uma vez que “uma reação demasiado forte através de um aumento rápido das taxas de juro pode ter efeitos desestabilizadores e desencadear uma recessão quando a área do euro ainda mal recuperou da crise anterior”, Mário Centeno realçou que é preciso afastar a ideia de que “não fazer nada é uma solução”.

“A ausência de reação da política monetária ou a perceção de que não há uma resposta suficientemente vigorosa” poderá levar a um maior aperto da política monetária no futuro, e isso poderá trazer “custos acrescidos em termos da atividade e do emprego”.

A subida das taxas de juro está em cima da mesa num período marcado por fortes pressões inflacionistas. E os fenómenos que hoje alimentam a inflação “são dos mais difíceis” para os bancos centrais, referiu o governador do Banco de Portugal, nomeadamente os sucessivos choques de oferta e as crises energéticos, que “não estão na área preferencial de atuação” dos bancos centrais.

Ao mesmo tempo que a banca lida com estas questões, há desafios a que tem de responder, referiu Centeno, nomeadamente a transição energética – uma necessidade que a guerra na Ucrânia veio intensificar pela necessidade de haver uma redução da dependência energética de países como a Rússia – e a digitalização, um investimento que tem sido feito nos últimos anos e que terá de continuar.

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