Centeno: “Devemos reavaliar a amplitude, dimensão e foco das moratórias nos próximos meses”

As moratórias atingem 15% dos empréstimos, correspondendo a 11 mil milhões de euros. O governador do Banco de Portugal disse que o sistema bancário tem “todas as condições para acomodar” este regime, mas alertou que atingem em Portugal uma dimensão “muito maior que a média da área do euro da União Europeia”.

Mário Cruz/Lusa

As moratórias sobre os empréstimos de empresas e famílias em Portugal estão num nível acima da média registada noutros países europeus, disse hoje o governador do Banco de Portugal.

“As moratórias atingem uma dimensão muito significativa muito maior que a media do conjunto da área do euro e da União Europeia”, afirmou Mário Centeno esta terça-feira.

O governador considera que a suspensão de pagamentos dos empréstimos “são um instrumento importantíssimo de liquidez em momentos de crise muito aguda, como a que atravessámos em março abril e maio. Deve-se manter ativo e ir adaptando a solução”.

“Estamos muito confortáveis, o sistema bancário tem todas as condições para acomodar e evoluir no sentido dos prazos que estão estabelecidos. Devemos reavaliar a amplitude, dimensão e foco das moratórias nos próximos meses”, defendeu em audição na comissão parlamentar de orçamento e finanças.

Mário Centeno avançou que as “prestações devidas e adiadas no seu pagamento correspondem a 11 mil milhões de euros ate setembro de 2021. É um numero muito significativo, 15% de stock de empréstimos”.

“Isto é um adiamento de pagamentos, devemos entender a necessidade de, assim que possível, retomar esse processo”, disse no Parlamento.

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