CEO da euroAtlantic: “A tal bazuca não pode ser só para determinadas empresas”

Eugénio Fernandes, CEO da euroAtlantic Airways participou no Webinar “Haverá retoma sem transporte aéreo?”, promovido pelo JE e pela consultora BDC, integrando o painel “Presente e futuro do setor”, onde alertou para o facto de que o sector da aviação civil em Portugal “não é só a TAP”. “Se estivermos todos juntos” – defende – “rapidamente conseguiremos ter uma recuperação”.

Eugénio Fernandes Euroatlantic
Victor Machado/Bluepeach

A “Europa e a Comissão Europeia têm por base a iniciativa privada e por isso nós não podemos só apoiar as empresas públicas, também temos de apoiar as empresas de iniciativa privada”, recordou o CEO da companhia aérea euroAtlantic, Eugénio Fernandes, explicando que, “o que nós esperamos para poder fazer parte da recuperação da atividade económica, é que de facto o nosso Governo olhe transversalmente para todos nós”.

“O nosso sector não é só a TAP”, alertou, considerando que “a tal bazuca de que se fala não pode ser só para determinadas empresas e só para determinados sectores”.

Eugénio Fernandes, CEO da euroAtlantic Airways participou no Webinar “Haverá retoma sem transporte aéreo?”, promovido pelo JE e pela consultora BDC, integrando o painel “Presente e futuro do setor”, moderado pelo diretor-adjunto do Jornal Económico, Shrikesh Laxmidas, que integrou igualmente António Moura Portugal, advogado da DLAPIPER e diretor-executivo da RENA, Michael O’Leary, CEO do Grupo Ryanair, Miguel Frasquilho, Chairman da TAP e José Luís Arnaut, Chairman da ANA – Aeroportos de Portugal.

Respondendo à pergunta “qual é que será o papel do sector da aviação na recuperação da economia portuguesa”, Eugénio Fernandes, manifestou a satisfação em participar num webinar “para falar do sector e não de especificidades, da companhia A ou da companhia B, porque o que é importante – e aí estamos todos de acordo – é falarmos do sector e pensarmos o presente e o futuro e pensarmos de uma forma transversal e entendermos qual é a posição do Estado nas mais diferentes matérias”.

Recordando que a “euroAtlantic Airways tem 27 anos e é uma empresa que sempre deu resultados positivos, tem balanços equilibrados”, afirmou acreditar “que somos das poucas companhias que já esteve em 157 países, aterrámos em mais de 700 aeroportos e já temos uma cobertura do mundo de mais de 83% do globo. Isto não é uma provocação, mas acredito que a própria Ryanair e a TAP não tenham estes números em termos de extensão. Claro que isso é a uma escala pequena, porque a euroAtlantic tem uma escala pequena comparativamente à TAP e à Ryanair. Mas é importante para perceber o que é a euroAtlantic, que tem dado provas que é um exemplo de como bem gerir uma companhia de aviação, tanto na própria euroAtlantic, como na empresa a que somos associados, a STP Airways, que é a companhia nacional de São Tomé”.

“Somos uma empresa que já fez várias voltas ao mundo. Somos fornecedores acreditados das Nações Unidas e fazemos vários tipos de transporte, incluindo tropas e governantes. As dificuldades são muitas e para olharmos para o futuro enquanto sector e enquanto euroAtlantic temos de tomar medidas no presente, desde a redução de frota, que é uma questão que pode trazer alguns custos de reputação às companhias aéreas, mas esses custos são assumidos porque são negociações bastante duras com os lessors – claro que nós fazemos isso numa dimensão pequena, e as grandes companhias fazem-no numa dimensão grande –, e tudo o que são investimentos não prioritários estamos a reduzi-los”, adiantou Eugénio Fernandes, esclarecendo que mantém igualmente outro tipo de soluções, como “as moratórias, os contactos com todas as instituições, com os Governos, e todas as iniciativas que possam ser efetuadas à procura de apoio. Isto é o que estamos a fazer no presente”.

“Para olharmos com uma perspetiva positiva para o futuro e mantermos a nossa proficiência para em qualquer momento podermos continuar a operar é importante que o Governo olhe transversalmente para o sector e não apenas para as empresas de que é acionista e que faça a distribuição desses apoios de uma forma ‘fair’, como disse bem a eurodeputada Cláudia Monteiro de Aguiar, porque a Europa e a Comissão Europeia tem por base a iniciativa privada e por isso nós não podemos só apoiar as empresas públicas, mas também temos de apoiar as empresas de iniciativa privada. Por isso, no presente e no futuro, o que nós esperamos para poder fazer parte dessa recuperação é que de facto o nosso Governo olhe transversalmente para todos nós”, referiu o CEO da euroAtlantic.

“Como é que vemos o futuro? Também concordo que a recuperação depende muito da retoma do sector aéreo, mas para essa recuperação acreditamos que tem de haver naturalmente muito trabalho, porque só a inteligência não chega. Os apoios têm de ser transversais. A tal bazuca de que se fala não pode ser só para determinadas empresas e só para determinados sectores. Tem de ser aplicada de uma forma transversal e tem de ser ‘fair’. Logicamente temos de olhar à dimensão. Essencialmente, nós vemos o futuro e acreditamos na recuperação e no apoio do sector aéreo desde que haja recuperação entre todos e desde que haja uma união entre todos”, defende Eugénio Fernandes.

Sobre o mercado local, o CEO da euroAtlantic considera que “nós, portugueses, temos de nos unir mais, porque a nossa dimensão já é pequena e se estivermos separados, ainda mais pequenos vamos ser. Por isso é muito importante que o Estado, enquanto regulador principal, consiga fazer essa distribuição de uma forma razoável e traga à mesa todos os players do sector, porque – o Miguel Frasquilho não me vai levar a mal – o nosso sector não é só a TAP. O que me deixa realmente satisfeito pelo desafio deste webinar, é falarmos do sector. Acredito claramente que se estivermos todos juntos e se cooperarmos cada um nas suas vertentes e nas suas capacidades, vamos conseguir avançar para o futuro e rapidamente conseguiremos ter uma recuperação”.

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