Certificados do Tesouro Poupança Crescimento “são pouco interessantes”, avalia DECO

O Estado lançou recentemente os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento e a Proteste Investe conclui na análise ao produto: Quem tem os Certificados do Tesouro Poupança Mais, lançados em 2013, deve mantê-los, pois são um investimento mais vantajoso.

A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) avaliou o produto de poupança lançado pelo Estado português em outubro de 2017, gerido pelo IGCP, destinado a captar a poupança de particulares. E concluiu: os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC) “são pouco interessantes e há depósitos com rendimento superior”.

Segundo a Proteste Investe, os CTPC rendem 1% líquidos ao ano, menos do que o rendimento de 1,6% garantido pelos Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM).

Análise desta que deixa de ser possível fazer novas subscrições CTPM, pelo que quem tem estes produtos, lançados a 31 de outubro de 2013, deve mantê-los, pois “são um investimento mais vantajoso”.

Recorde-se que os CTPM são um produto de dívida pública com maturidade de sete anos e cujo lançamento coincide com o final do seu período de subscrição, que tinham maturidade de cinco anos.

“Se procura uma solução rentável para poupar, compare vários produtos no nosso simulador”, aconselha a Proteste Investe.

A subscrição dos CTPC está disponível a partir de 1.000 euros, por um prazo mínimo de sete anos (nos anteriores CTPM o montante mínimo era igual, mas o prazo era de cinco anos). Cada subscrição vence juros com uma periodicidade anual (não há capitalização de juros) e o resgate é possível um ano após a data em que subscreveu. Passado o primeiro ano, podem ser feitos resgates a qualquer altura. Porém, perderá a totalidade dos juros ganhos desde o último vencimento de juros até à data do resgate.

A partir do segundo ano, os novos CTPC trazem um prémio que depende do crescimento do PIB. Mas a forma de cálculo, frisa a Proteste Investe, ”é mais desfavorável e acompanhada por uma redução muito acentuada das taxas base face aos CTPM”.

Enquanto os CTPM garantiam um rendimento líquido de 1,6% ao fim de cinco  anos, nos CTPC a taxa garantida é de apenas 1% líquidos, após sete anos. Ou seja, conclui a Proteste Investe, “um dos produtos de capital garantido que se apresentava como uma hipótese atrativa de investimento levou uma machadada no rendimento”.

As taxas de juro fixadas para as subscrições a realizar a partir de 30 de Outubro dos CTPC variam entre 0,75% e 2,25% bruta.

Entre as diferenças face aos CTPM, destaca-se que os CTPC têm mais dois anos de duração e oferecem taxas de juro significativamente mais baixas. Neste último caso, os Certificados do Tesouro Poupança Mais não sofreram revisão das taxas durante dois anos o que contribuiu para que, em outubro de 2017, estivessem a oferecer um prémio significativo face à remuneração da dívida pública portuguesa que se encontra no mercado e cujas taxas têm vindo a descer.

Prémio em função do PIB a partir do 2.º ano

Além das taxas fixas, há ainda um fator adicional a ter em conta no rendimento anual: a partir do segundo ano é acrescido um prémio correspondente a 40% do crescimento médio real do PIB a preços de mercado nos últimos quatro trimestres conhecidos no mês anterior à data de pagamento de juros.

O prémio apenas tem lugar no caso do crescimento médio real do PIB ser positivo e fica limitado a um máximo de 1,2% em cada ano (que é atingido se o crescimento do PIB for de 3%).

Os especialistas da Proteste Investe fizeram uma simulação para saber quanto ganha com os CTPC se a taxa de crescimento do PIB for de 2% nos próximos anos.

Apontada como uma simulação “bastante optimista”, mesmo nesse caso, a DECO/Proteste  conclui que o rendimento que iria obter com os CTPC (TAEL de 1,5%) é inferior ao mínimo garantido pelos anteriores CTPM (TAEL de 1,6%). “Pelo que não se deixe impressionar pelo bónus em função do PIB a partir do segundo ano. Para igualar o rendimento mínimo dos CTPM, o crescimento do PIB teria que ser de 2,5% ao ano, em todos os anos”, alertam os especialistas.

A análise realça ainda que “os CTPC são pouco interessantes e há depósitos com rendimento superior”.

Recomendadas

Marques Mendes: “Costa Silva recupera autoridade ou sai. O país precisa de um ministro da Economia forte”

“De um Governo com maioria absoluta, à partida um Governo forte, esperava-se unidade, coesão, determinação, energia, mobilização, espírito reformista. O que encontrámos? Exatamente o contrário”, disse este domingo o comentador da SIC.

Moçambique baixa receitas fiscais do gás ao fundo soberano para 40%

Moçambique deverá ser um dos maiores exportadores mundiais de gás a partir de 2024, beneficiando não só do aumento dos preços, no seguimento da invasão da Ucrânia pela Rússia, mas também pela transição energética.

PCP defende aumento do salário mínimo nacional para 850 euros em janeiro

O secretário-geral do PCP acusou o Governo de querer “retomar todos os caminhos da política de direita, fazer comprimir ainda mais os salários, facilitar a exploração, abrir espaço para os negócios privados na saúde e na educação, condicionando ou justificando as suas opções com as orientações e imposições da União Europeia e do euro”.
Comentários