CGD: Carteira de crédito vendida à Bain não inclui exposição a grandes clientes

Nenhum dos créditos vendidos à Bain faz parte da lista de créditos problemáticos a 200 empresas que Paulo Macedo explicou serem responsável pelas elevadas imparidades. A venda de carteiras de crédito “faz parte de um programa de redução de NPE”, diz fonte oficial.

Cristina Bernardo

A venda das carteiras de crédito da Caixa Geral de Depósitos à Bain Capital, anunciadas ontem, não incluem os créditos às  200 empresas que são responsáveis pela maioria das imparidades registadas pelo banco no exercício de 2016, soube o Jornal Económico.

A Caixa Geral de Depósitos vendeu uma carteira de crédito malparado à Bain Capital no valor de 476 milhões de euros, anunciou a empresa norte-americana em comunicado enviado às redações esta terça-feira, 11 de Julho. Mas tratou-se de créditos pequenos que estavam em litígio. Não há nesta venda nenhum dos créditos às empresas que provocaram elevadas imparidades.

Nesta operação estão em causa, sobretudo, “empréstimos imobiliários bilaterais garantidos contraídos por pequenas e médias empresas e algumas grandes empresas. A garantia de colaterais destes empréstimos inclui uma vasta gama de activos, incluindo-se projectos de desenvolvimento imobiliário residencial em curso e finalizados e parcelas de terreno”.

“Faz parte de um programa de redução de NPE – non performing exposure e não tem impacto nem nos resultados, nem no capital”, diz fonte oficial da CGD quando questionada sobre a operação anunciada por comunicado da Bain Capital, sociedade gestora que tem sede em Boston.

A Moody´s bem alertou, que enquanto o banco estatal não conseguir vender carteiras de crédito em incumprimento, o malparado vai continuar a pesar no balanço da CGD durante, pelo menos, mais um ano. Assim, o regresso aos lucros só deve acontecer a partir do próximo ano.

“Na nossa perspetiva, a CGD vai enfrentar um desafio na redução significativa do rácio de NPL [malparado] nos próximos 12 a 18 meses, na ausência de qualquer venda expressiva de empréstimos em incumprimento, considerando as perspetivas económicas ainda modestas para o país”, disse a agência há umas semanas atrás.

Na apresentação dos Resultados da Caixa de 2016 ficou conhecido que há cerca de 200 empresas que são responsáveis pela maioria das imparidades registadas pelo banco. Paulo Macedo respondia à questão dos motivos para imparidades de 3.016,9 milhões de euros que condicionaram o resultado líquido da CGD (prejuízo de 1.859,5 milhões).

“Uma parte significativa das imparidades registadas resulta de umas centenas de empresas face às milhares de empresas que temos como clientes”, disse então Paulo Macedo que lembrou que essas empresas são comuns a outros bancos.

As imparidades superiores a 3 mil milhões foram responsáveis por prejuízos de 1.859,5 milhões de euros. As imparidades para crédito são de 2.396,4 milhões de euros enquanto para outros ativos somam 620,5 milhões de euros.

As imparidades em percentagem do crédito em risco (os chamados non-performing loans [NPL]) são de 46,9% na Caixa. Quando se avalia as imparidades e colaterais constituídos pelo banco público a CGD apresenta um valor face aos NPL de 89,6%, quando a média dos seis bancos portugueses é de 87,7% e a média dos bancos europeus é de 92,8%, segundo dados da EBA (Autoridade Bancária Europeia).

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