Maria Luís Albuquerque: “Há falta de transparência na CGD”

A anterior ministra das Finanças afirma que, atualmente, não faz sentido a Caixa Geral de Depósitos ser um banco público.

Rafael Marchante/Reuters

Maria Luís Albuquerque considera que o Governo não está a resolver problemas da banca portuguesa e que o sistema financeiro é caracterizado por “ruído” e “instabilidade. Para a ex-responsável pela pasta das Finanças, “o caso da gestão da Caixa dá para escrever um manual do que não fazer” e “está tudo errado”.

Em entrevista ao “Jornal de Negócios”, a vice-presidente do PSD falou sobre a transparência no caso da CGD e sublinhou que a nova equipa de gestão do banco do Estado tem pessoas competentes.

“A Caixa é o maior banco do sistema e um banco público tem responsabilidades claras na dinamização da economia”, garante. Maria Luís Albuquerque diz ainda que “há um conjunto de respostas que deviam ser dadas e não estão a ser”.

Na sua perspetiva, “há um problema sério de falta de transparência”. “Nós não sabemos exatamente quanto é que é [o aumento de capital da CGD], porque é que é, e sobretudo para quê”.

Questionada sobre se a coligação PSD/CDS teria feito algo de forma diferente, enquanto estava no executivo, Maria Luís adiantou que “não, porque aquilo que nós fizemos relativamente à recapitalização dos vários bancos foi dar resposta às necessidades que foram identificadas”.

Nesse sentido, em declarações ao jornal, realçou que o Governo do qual fez parte encontrou, em 2011, problemas no sistema financeiro que advieram do executivo liderado por José Sócrates, do qual António Costa fez parte. “A herança do sistema financeiro era pesadíssima”, afirmou.

Maria Luís Albuquerque refere, no entanto, que o país não podia estar sujeito a uma intervenção semelhante à banca espanhola ou irlandesa: “Portugal não tinha condições”, disse a vice-presidente do PSD, acrescentando que “um país à beira da bancarrota não pode ter um sistema financeiro saudável”, dado que “as duas coisas não são compatíveis”.

 

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