CGD pode ficar com rácio de capital abaixo de 6,5%

Caso os 3.000 milhões de euros de imparidades sejam contabilizados este ano o rácio CET 1 ficará abaixo do mínimo regulamentar de 8%.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

O plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) prevê que o banco público registe já este ano cerca de três mil milhões de euros em imparidades para crédito malparado, imóveis, fundos de reestruturação e participações financeiras. Uma operação que deverá levar a CCG a prejuízos na ordem dos três mil milhões. Caso este volume seja contabilizado na totalidade este ano, o rácio de capital ‘common equity tier 1’ (CET 1), na versão ‘fully loaded’, poderá ficar nos 6,4%, ou seja, abaixo do mínimo regulamentar de 8%.

No total, a recapitalização da Caixa ascende a 5.160 milhões de euros e será feita da seguinte forma: transferência das ações da Parcaixa (holding detida pela CGD e Parpública) para a Caixa de 500 milhões de euros, a conversão de 960 milhões de euros de instrumentos de capital contingente (CoCo’s), a emissão de mil milhões de dívida e a injeção de 2700 milhões de euros de dinheiro fresco.

Destas diferentes fases que compõe o plano de recapitalização, a transferência das ações da Parcaixa poderá ser feita até ao final deste ano. Ainda assim não será suficiente para manter o referido rácio de capital acima dos 8%.

O rácio ‘CET 1 fully loaded’ era de 9,3%, em setembro de 2016, segundo os resultados dos nove primeiros meses.
De acordo com os cálculos feitos por um analista a pedido do Jornal Económico, cada ponto percentual deste rácio representa cerca de 600 milhões de euros de capital. Isto significa que, e contabilizando as imparidades em termos líquidos, esta operação pode levar o rácio CET 1 a cair para 5,5%. A transferência das ações da Parcaixa deverá ter um impacto no rácio de cerca de 85 pontos base.

Feitas as contas e a Caixa poderá terminar o ano com um rácio próximo de 6,4%, ou seja, bastante abaixo dos 8% exigidos. Um cenário que, ainda assim, não deverá ser muito preocupante, uma vez que situações semelhantes já aconteceram noutros planos de reestruturação de bancos. As autoridades europeias não deverão penalizar a Caixa por este valor abaixo do mínimo regulamentar, uma vez que com a implementação de todas as medidas previstas no plano, o rácio ficará bastante acima do mínimo exigido.

Cortar custos e aumentar rentabilidade
O plano de recapitalização desenhado por António Domigues, e que será implementado por Paulo Macedo, o novo presidente da Caixa, tem no corte de custos uma importante componente para trazer o banco aos lucros de 670 milhões de euros, em 2020.

Segundo avançou o Negócios, a estratégia irá passar pelo corte dos juros dos depósitos de 0,6% para 0,2%, que deverá impactar na margem financeira, a redução dos custos operacionais com a saída de 2200 trabalhadores, o fecho de 180 agências, assim como corte na prestação de serviços com consultores, comunicações e publicidade. No plano está também a venda das operações em Espanha, Brasil e África do Sul. A presença nos mercados internacionais deverá ficar centrada nos países africanos de língua portuguesa – Angola, Moçambique e Cabo Verde – e Macau.

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