CGD com prejuízos de 189,3 milhões de euros em setembro

A CGD apresentou ao mercado um comunicado com os resultados do terceiro trimestre, nesta sexta-feira ao fim da noite. Os prejuízos melhoraram e as imparidades aumentaram face a junho. Mas o grande aumento de imparidades esperado, só no último trimestre.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

A CGD apresentou os seus resultados do terceiro trimestre e registou nos primeiros nove meses de 2016 um resultado líquido consolidado de -189,3 milhões de euros. Isto traduz uma melhoria face aos prejuízos de Junho  que foram de 205 milhões de euros, mas em setembro do ano passado a CGD apresentou um lucro de 3 milhões de euros.

A melhoria dos prejuízos face a Junho (uma melhoria de 15,7 milhões) acontece apesar do aumento de imparidades que passou de 328 milhões para 412 milhões de euros em três meses. Sendo que a actual administração só entrou em funções no último dia de agosto.

Nos primeiros nove meses do ano, a margem financeira estrita cresceu face
ao período homólogo 48,1 milhões de euros (+6%) para 854,7 milhões de euros. Em junho a receita vinda da margem financeira tinha sido de 569 milhões.
O produto bancário alcançou 1.182,2 milhões de euros em setembro de 2016, uma redução de 432,8 milhões de euros face ao período homólogo de 2015, penalizado pela redução em 370,0 milhões de euros nos resultados de operações financeiras, explica o banco.

No entanto as comissões também caíram (8,1%) face a setembro de 2015 ( de 375 milhões para 345 milhões), mas em junho tinham somado 230 milhões.

Os custos operativos evidenciaram nos nove meses terminados em setembro de 2016 uma redução de 3,6% face ao período homólogo de 2015, beneficiando da contenção em todas as suas componentes. Excluindo o custo não recorrente relativo ao programa de pré-reforma ou de aposentação voluntária em curso (Plano Horizonte), a redução teria sido de 5,6%.

O banco do Estado não ganha na comparação com os privados na eficiência. O rácio de cost-to-income situa-se em 77,8%.

O resultado bruto de exploração situou-se em 239,3 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2016, uma redução de 397,8 milhões de euros (-62,4%) se comparado com o período homólogo de 2015, o que se fica a dever essencialmente aos -370 milhões de euros da redução dos resultados de operações financeiras.

Nos primeiros nove meses de 2016 o resultado de exploração core (soma da
margem financeira estrita com comissões deduzida dos custos operativos) aumentou 25,8% face ao período homólogo do ano anterior para 256,5 milhões de euros, beneficiando do comportamento da margem financeira estrita (diferença entre juros activos e passivos) e dos custos operativos.

Imparidades aumentam no último trimestre

“Desde o início de funções a 31 de agosto de 2016, a nova administração, no contexto do plano de recapitalização e com conhecimento das entidades reguladoras, tem em curso a reavaliação do valor dos ativos e de potenciais contingências da CGD e das necessidades de imparidades correspondentes, que por não estar concluído, não se encontra refletido nas contas agora divulgadas”, explica o banco. Isto significa que até ao fim do ano as imparidades deverão aumentar significativamente. O comunicado da CGD diz que “este exercício deverá estar concluído antes do encerramento das contas referentes a 31 de dezembro de 2016 e será refletido nas demonstrações financeiras referentes ao ano de 2016”.

O plano de recapitalização prevê um aumento de capital de até 2.700 milhões de euros para cobrir as necessidades de imparidades, diz o comunicado.

Mas ontem o ministro das Finanças confirmou que o aumento de capital da CGD vai resvalar para 2017, devido à dificuldade de fazer a emissão de subordinadas este ano.

Ao nível do balanço, os recursos de clientes totalizaram no final de setembro 71.648 milhões de euros (+581 milhões de euros, +0,8% do que um ano antes). E o crédito a clientes bruto (incluindo créditos com acordo de recompra) era em setembro último de 69.938 milhões de euros (-2,1% face a setembro de 2015).

O rácio de transformação situou-se em 90,0%, que compara com 93,1% em setembro de 2015.

Em termos de qualidade da carteira. O crédito em risco fixou-se em setembro de 2016 em 12,2% da carteira de crédito. O grau de cobertura do crédito em risco por provisões e imparidades foi de 63,8%, sendo o do crédito a particulares de 46,6% e o do crédito a empresas de 74,6%.

O custo do risco de crédito fixou-se em 0,77%, que compara com 0,66% no período homólogo de 2015.

O rácio de crédito vencido com mais de 90 dias atingiu 7,8% em setembro de 2016 e a respetiva cobertura por imparidade situou-se em 98,7%.

Os rácios de capital, tema caro à CGD, fixaram-se os Common Equity Tier 1 (CET 1) Phased-in e Fully Implemented calculados de acordo com as regras da CRD IV /CRR, em 10,2% e 9,3%, respetivamente.

Na actividade doméstica, nos primeiros nove meses de 2016, o resultado líquido da atividade atingiu -348,1 milhões de euros, que compara com -81,3 milhões de euros no período homólogo de 2015, traduzindo a redução dos resultados de operações financeiras em 353,8 milhões de euros, das comissões líquidas (-19,0 milhões de euros), apesar da redução sentida nos custos operativos (-30,5 milhões de euros) e nas rubricas de impostos (-124,0 milhões).

O contributo da área de negócio internacional para o resultado líquido consolidado do Grupo CGD registou, nos primeiros nove meses do ano, um aumento homólogo de 74,1 milhões de euros (+87,5%), atingindo um total de 158,8 milhões de euros. “Este montante foi influenciado pelo proveito não recorrente na atividade de tesouraria da Sucursal de França, no valor de 43 milhões de euros, pela redução sentida nos custos operativos (-29,9 milhões de euros), bem como pelo aumento da margem financeira (+5,2 milhões de euros) e redução na constituição de novas provisões e imparidades (-75,5 milhões de euros)”, diz o banco.

O resultado líquido obtido pela atividade internacional nos primeiros nove meses de 2016 teve como maiores contribuidores a Sucursal de França (62,1 milhões de euros, incluindo o impacto do referido proveito não recorrente), o BNU Macau (45,2 milhões de euros), o BCG Angola (18,9 milhões de euros), o BCG Espanha (15,7 milhões de euros) e o BCI Moçambique (9,8 milhões de euros).

Na rota do corte de custos, saíram 118 pessoas entre junho e setembro.

 

 

 

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