CGD vai vender 800 milhões de euros de crédito malparado até setembro

A Caixa Geral de Depósitos tem operações em curso para vender até setembro crédito malparado no valor total de 800 milhões. Mas “nestas carteiras não há vendas de crédito de grandes devedores”, explicou Paulo Macedo, CEO do banco público.

Cristina Bernardo

Até ao final do terceiro trimestre de 2019, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) quer concretizar até ao final do várias operações de venda de crédito malparado que já estão em curso e que têm um valor total de 800 milhões de euros.

José Brito, CFO da Caixa, disse que o banco do Estado tem “processos de venda em curso” e que estima “concretizar neste terceiro trimestre”, isto é, até setembro de 2019.

O CEO da Caixa, Paulo Macedo, revelou que “temos operações em curso de cerca de 800 milhões de euros de créditos em Portugal” e, “pela primeira vez”, no estrangeiro.

“A Caixa está disponível para vender créditos”, salientou o CEO do banco público. Alguns créditos “têm uma parte de créditos garantidos ou outros não garantidos”, explicou.

Mas Paulo Macedo fez uma ressalva sobre estas operações de venda de malparado em curso: “nestas carteiras não há vendas de [créditos] de grandes devedores”.

A CGD apresentou esta terça-feira os resultados semestrais, nos quais se destacaram a “evolução favorável” da qualidade dos ativos, ao reduzir a carteira de malparado (em inglês, non performing loans ou NPL) em 2,3 mil milhões de euros entre junho de 2018 e junho de 2019.

O banco do Estado terminou o primeiro semestre do ano com uma carteira de malparado de 1,6 mil milhões de euros, excluindo as imparidades, explicou o CFO desta instituição de crédito, José Brito. Mas, somando as imparidades, este valor sobe para 4,5 mil milhões de euros.

Assim, até setembro de 2019, altura em que acaba o terceiro trimestre do ano, caso tenha êxito na venda venda de NPL no valor de 800 milhões, a Caixa terá no balanço 800 milhões de euros em crédito malparado.

Nos primeiros seis meses do ano, contrariamente com o períodos anteriores, a Caixa não fez “vendas de portefólios” de NPL, disse José Brito. “O principal contributo para a redução de NPL foram os write-offs, com 500 milhões, sendo que, ao nível das curas e das recuperações de crédito, temos a assinalar mais 260 milhões para esta redução”, salientou ou CFO.

Neste período, a CGD registou um rácio de NPL total de 7,3%, próximo do objetivo traçado para 2021, fixado abaixo dos 7%. Contando apenas os créditos não performantes com mais de 90 dias, a CGD registou um rácio de NPL de 4,7%.

O banco do Estado tinha, em 30 de junho de 2019, um rácio de cobertura por imparidades bruto de 107,9%. O rácio de cobertura por imparidades fixou-se nos 64,3%, acima da médias médias europeia (45,1%) e portuguesa (51,4%), enquanto o rácio de cobertura por colateral situou-se nos 43,6%.

A CGD apresentou lucros de 282,5 milhões de euros, o que significa uma subida do resultado líquido de 46% face ao período homólogo.

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Em consequência, os bancos terão “de reduzir custos”, mas também “melhorar a eficiência e limpar a folha de balanço”, realçou o CEO da Caixa.

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A subida, de 46% face ao período homólogo foi impulsionada pelo aumento da margem complementar em cerca de 34 milhões, que mais que compensou a descida de 15 milhões de euros na margem financeira alargada. A CGD reduziu o malparado embora não tenha vendido créditos, mas tem operações em curso para vender 800 milhões de malparado, onde não entram os créditos dos grandes devedores. Até 2021 vai emitir dívida de dois mil milhões.
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