CGD: Vencimentos dos gestores seguem para discussão no Parlamento

PSD quer limitar o vencimento dos gestores públicos a 78.914 euros por ano, tanto quanto o primeiro-ministro.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

É oficial: Paulo Macedo e Rui Vilar vão ocupar os lugares de presidente executivo e não executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD). No entanto, a polémica em torno dos ordenados definidos para os gestores do banco público não desapareceu. Na próxima terça-feira, o PSD vai apresentar um projeto-lei que prevê a alteração ao estatuto do gestor público, tendo como ponto-chave a limitação dos vencimentos.

Segundo informação revelada esta sexta-feira, a nova administração da CGD deverá ganhar tanto como a anterior, liderada por António Domingues, antes de se demitir devido à polémica recusa a apresentar as suas declarações de rendimentos e património (423 mil euros por ano para o presidente, 337 mil para os restantes membros).

À direita e à esquerda, os diferentes partidos políticos já se expressaram contra esta decisão do Governo.

O deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro, em declarações à RTP, argumenta que “foi o BCE que impôs a mudança do estatuto remuneratório”.

O deputado lembra que o PS está disposto a discutir “a desigualdade salarial. O caso do salario mínimo é um exemplo. Devemos até discutir se as empresas devem, ou não, ser penalizadas em sede de impostos se tiverem uma distribuição assimétrica dos seus salários. Agora os salários da Caixa não têm nada que ver com isto”.

Na próxima terça-feira, o PSD vai ao Parlamento propor, a título excecional, a limitação dos ordenados dos gestores públicos à média da remuneração efetiva dos últimos três anos da Caixa forte do Estado. A proposta serão 78.914 euros por ano, tanto quanto o primeiro-ministro e quatro vezes menos o salário que foi atribuído a Paulo Macedo em 2004 pelo governo de Durão Barroso para assumir a direção-geral de impostos.

“É necessário ter bom senso”, defende o deputado social-democrata Hermínio Loureiro, à RTP.

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