Chefe do governo de Hong Kong termina mandato “sem vergonha” do balanço

A chefe do Governo de Hong Kong disse, no seu último discurso perante o conselho legislativo na região, que parte sem vergonha do seu mandato, marcado por confrontos sem precedentes e um índice de popularidade em níveis mínimos.

Carrie Lam

Carrie Lam, a chefe do Governo de Hong Kong disse, no seu último discurso perante o conselho legislativo na região, que parte sem vergonha do seu mandato, marcado por confrontos sem precedentes e um índice de popularidade em níveis mínimos.

Carrie Lam, que termina o seu mandato de cinco anos no final do mês, fica para muitos associada a imagens de massivas manifestações pró-democracia em 2019, algumas delas violentas, à lei draconiana sobre a segurança nacional imposta por Pequim e à pandemia de covid-19, que fez mais de 9.000 mortos na região.

Mas foi com emoção que a chefe do Governo disse hoje aos legisladores poder afirmar “com força”: “Apresentei um balanço de que não me envergonho”.

Lam reconheceu que o seu mandato marcou o período “mais difícil” da história de Hong Kong desde que o território foi devolvido à China.

A dirigente garantiu hoje que nunca pensou em demitir-se, sublinhando o apoio de Pequim e da sua família, bem como um sentido da sua “missão histórica”.

No entanto, no auge dos protestos pró-democracia em 2019, Lam admitia, segundo uma gravação de uma reunião à porta fechada que acabou por ser divulgada nos ‘media’ que se demitiria se tivesse escolha, por ter provocado estragos “imperdoáveis”.

Após os protestos, Pequim remodelou Hong Kong à sua imagem autoritária, impondo uma lei sobre a segurança nacional que permite reprimir qualquer dissidência e refundando o sistema eleitoral para afastar figuras do movimento pró-democracia.

Lam considerou que a cidade melhorou após esta intervenção de Pequim para pôr “patriotas” no poder. O mandato de Carrie Lam ficou também marcado pela pandemia.

Após terem conseguido preservar a cidade do coronavírus graças a um encerramento rigoroso das fronteiras, as autoridades foram esmagadas pela variante Ómicron, que custou milhares de vidas.

O governo favoreceu a reabertura das fronteiras com a China continental sobre o resto do planeta, cortando o que antes era um centro logístico e de negócios do resto do mundo. Lam afastou a possibilidade de uma reabertura da fronteira com a China continental num futuro próximo.

“Se tomarmos como base o que foi discutido de setembro a dezembro passado, no curto prazo, não vemos essa possibilidade”, disse Lam, referindo-se às negociações políticas entre Hong Kong e Pequim antes da vaga de Ómicron.

O sucessor de Carrie Lam à frente do Governo de Hong Kong, John Lee, de 64 anos e antigo chefe de segurança da cidade, foi nomeado no início de maio por um pequeno “comité eleitoral”, ao abrigo do novo sistema eleitoral, promovido pelo Governo central em 2021 para garantir que a região semi-autónoma seja governada exclusivamente por “patriotas” leais ao regime chinês.

Lee, que em 2019 supervisionou a campanha repressiva contra o movimento pró-democracia em Hong Kong, vai assumir o cargo em 01 de julho, coincidindo com o 25.º aniversário da transferência da soberania de Hong Kong do Reino Unido para a República Popular da China.

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