Chega quer ouvir ministra, CEMGFA e secretário de Estado da Digitalização

O Chega quer ouvir com urgência no parlamento a ministra da Defesa, o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e o secretário de Estado da Digitalização, sobre o ciberataque que levou à exfiltração de documentos classificados da NATO.

Helena Carreiras, Ministério da Defesa Nacional. Foto cedida

Num requerimento divulgado à comunicação social, o partido liderado por André Ventura quer também chamar à comissão parlamentar de Defesa Nacional o diretor-geral do Gabinete Nacional de Segurança, António Gameiro Marques, além da ministra Helena Carreiras, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro, e o secretário de Estado da Digitalização e da Modernização Administrativa, Mário Campolargo.

“Não sendo a primeira vez que casos semelhantes de exfiltração de informações classificadas afetam a reputação e credibilidade de Portugal perante os nossos aliados, urge saber qual a dimensão da quebra de segurança provocada por este ataque, e qual a razão para, aparentemente, não ter sido detetado pelas Forças Armadas, Gabinete Nacional de Segurança e Sistema de Informações da República”, sustenta o partido.

O Chega salienta ainda que, “curiosamente, e como também é noticiado, a Polícia Judiciária, que tem competências reservadas na investigação da cibercriminalidade, até ao dia de ontem, 07 de setembro de 2022, ainda não tinha sido envolvida nas investigações”.

O partido classifica esta situação como “gravíssima”, defendendo que esta “provoca danos reputacionais irreparáveis à confiança” depositada em Portugal pelos Aliados.

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) foi alvo de um “ciberataque prolongado e sem precedentes”, que teve como resultado a exfiltração – termo que se refere à transferência não autorizada de dados de um determinado sistema informático fechado – de documentos classificados da NATO, noticiou hoje o Diário de Notícias.

Segundo o mesmo jornal, o Governo português foi informado pelos serviços de informações norte-americanos, opor intermédio da embaixada em Lisboa, através de uma comunicação que terá sido feita diretamente ao primeiro-ministro, António Costa, em agosto passado.

Este caso é considerado de “extrema gravidade” e terão sido os ciberespiões da Inteligência norte-americana a detetar “à venda na darkweb centenas de documentos enviados pela NATO a Portugal, classificados como secretos e confidenciais”.

Contactado pela agência Lusa, o gabinete do primeiro-ministro, que está a acompanhar diretamente este caso, referiu que, para já, “nada mais tem a adiantar” face àquilo que transmitiu ao Diário de Notícias sobre este caso.

“O Governo pode garantir que o Ministério da Defesa Nacional e as Forças Armadas trabalham diariamente para que a credibilidade de Portugal, como membro fundador da Aliança Atlântica, permaneça intacta”, referiu fonte do gabinete de António Costa.

Adianta-se, igualmente, que “a troca de informação entre aliados em matéria de segurança da Informação é permanente nos planos bilateral e multilateral”.

“Sempre que existe uma suspeita de comprometimento de cibersegurança de redes de sistema de informação, a situação é extensamente analisada e são implementados todos os procedimentos que visem o reforço da sensibilização em cibersegurança e do correto manuseamento de informação para fazer face a novas tipologias de ameaça. Se, e quando, se confirma um comprometimento de segurança, a subsequente averiguação sobre se existiu responsabilidade disciplinar e/ou criminal automaticamente determina a adoção dos procedimentos adequados”, acrescenta-se na resposta dada ao Diário de Notícias.

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