China afirma que a Rússia é um Estado que luta contra o terrorismo

A questão de Taiwan e de Nancy Pelosi continua a agitar a diplomacia internacional. Inesperadamente, Pequim saiu em defesa do bom nome da Rússia, acusada pelo Senado norte-americano de patrocinar o terrorismo.

Brendan Smialowski/AFP/Getty

Aparentemente, a opinião dos críticos da viagem de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a Taiwan, está confirmar-se: quebrando o seu tradicional silêncio em relação a Moscovo, a China disse esta sexta-feira que a Rússia é uma importante força motriz na luta da comunidade global contra o terrorismo.

A declaração – que aponta para que China e Rússia estão em rota de aproximação – foi feita pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying, no briefing diário daquela estrutura, e surgiu como comentário sobre os pedidos do Senado dos Estados Unidos para declarar a Rússia um estado patrocinador do terrorismo.

O pedido não é novo e já foi repetido várias vezes ao longo dos últimos meses – sendo que Pelosi é uma das congressistas que apoia essa tomada de posição, como ficou patente numa sessão da Câmara a 20 de julho, em que a democrata pediu isso mesmo ao secretário de Estado Anthony Blinken. O que é novo é o comentário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, feito umas horas depois de Pelosi ter abandonado Taiwan depois de uma visita muito contestada por Pequim e que motivou manobras de exercício militar inesperadamente poderosas em torno da ilha.

“A Rússia é uma força importante na luta da comunidade internacional contra o terrorismo e desempenha um papel ativo e construtivo no combate à ameaça terrorista”, disse a porta-voz, citada pelas agências internacionais, para acrescentar que “a falsidade dos Estados Unidos não mudará isso de forma alguma”. “Todos sabem que os Estados Unidos rotularam arbitrariamente outros países”.

Já depois da sessão de 20 de julho, mais propriamente a 27, o Senado aprovou uma resolução pedindo ao Departamento de Estado que reconhecesse a Rússia como um Estado patrocinador do terrorismo, motivando-o pelos acontecimentos na Chechénia, Geórgia, Síria e Ucrânia.

Por outro lado, e segundo a agência russa Tass, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, comentando o mesmo assunto, disse que a Rússia está pronta para qualquer desenvolvimento da situação com os Estados Unidos. Segundo disse, se Washington decidir romper relações diplomáticas com a Rússia, “Moscovo sobreviverá”.

A agitação diplomática tem estado presente desde que Nancy Pelosi aterrou em Taiwan. Esta quinta-feira, a China cancelou uma reunião bilateral entre o seu ministro dos Negócios Estrangeiros e o seu homólogo do Japão em Phnom Penh – capital do Cambodja, onde se realiza uma reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) – devido à declaração conjunta do G7 sobre Taiwan.

“A China não vai estar presente na reunião em Phnom Penh entre os ministros das Relações Exteriores da China e do Japão depois se o lado japonês ter assinado uma declaração conjunta com os seus parceiros do G7 e da União Europeia que expressar críticas infundadas. Os factos são distorcidos e justificam os movimentos dos Estados Unidos em violação da soberania da China” disse.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 expressaram a sua preocupação com os exercícios militares do país em torno de Taiwan, que decorrem até domingo. “Estamos preocupados com as recentes e anunciadas ações ameaçadoras da República Popular da China, particularmente exercícios de tiro real e coerção económica, que correm o risco de uma escalada desnecessária. Não há justificação para usar uma visita como pretexto para atividade militar agressiva no Estreito de Taiwan. É normal e rotineiro que responsáveis dos nossos países viajem internacionalmente. A resposta da China corre o risco de aumentar as tensões e desestabilizar a região”, diz a referida declaração do G7.

O texto diz ainda que “apelamos à China para não alterar unilateralmente o status quo pela força na região e para resolver as diferenças por meios pacíficos. Não há mudança nas respetivas políticas de uma China, quando aplicáveis, e das posições básicas sobre Taiwan entre os membros do G7”.

Entretanto, e na sequência da crise instalada com a China, a Casa Branca chamou o seu embaixador acreditado em Pequim.

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