China assinala 40º aniversário das reformas económicas

Numa altura de tensões com os Estados Unidos, que reclamam mudanças estruturais na economia chinesa, Xi Jinping assegurou que ninguém poderá “impor ao povo chinês o que pode ou não fazer”.

Presidente da República Popular da China, Xi Jinping

A China comemorou esta terça-feira o 40.º aniversário da adoção das reformas económicas que converteram o país na segunda maior economia do mundo, com o presidente chinês a defender o modelo de capitalismo de Pequim. Numa altura de tensões com os Estados Unidos, que reclamam mudanças estruturais na economia chinesa, Xi Jinping assegurou que ninguém poderá “impor ao povo chinês o que pode ou não fazer”.

No Grande Palácio do Povo, ícone da arquitetura socialista erguido junto à praça Tiananmen, em Pequim, Xi voltou a prometer que o país vai continuar a abrir-se ao comércio e ao investimento, na celebração do 40.º aniversário da política de Reforma e Abertura.

No final dos anos de 1970, após uma década de violência e caos induzidos pela Grande Revolução Cultural Proletária, movimento de massas lançado pelo fundador da República Popular da China, Mao Zedong, a então pobre e isolada China estava à beira do colapso. Mas, entre 18 e 22 de dezembro de 1978, no terceiro plenário do XI Congresso do Partido Comunista realizou-se o ponto de viragem que viria a converter o país na segunda maior economia mundial, com a adoção da política de “Reforma e Abertura”, sob a liderança de Deng Xiaoping.

Deng lançou então as “Quatro Modernizações”: agricultura, indústria, ciência e tecnologia, e defesa. Oficialmente, o país continuou a ser governado sob a égide do marxismo-leninismo e o papel dirigente do PCC permaneceu como um “princípio cardeal”.

Quando em dezembro de 1978, um jovem chamado Wei Jinsheng propôs a democracia como a “quinta modernização”, foi condenado a 18 anos de prisão. Em junho de 1989, o movimento pró-democracia da Praça Tiananmen foi esmagado pelo exército, na noite de 03 para 04 de junho, quando os tanques do exército foram enviados para pôr fim a sete semanas de protestos.

O número exato de pessoas mortas continua a ser segredo de Estado, mas as “Mães de Tiananmen”, associação não-governamental constituída por mulheres que perderam os filhos naquela altura, já identificaram mais de 200. O quadro é claro: abertura e reformas económicas, mas sob o controlo do PCC.

Em 1979, num país então essencialmente rural, foi no campo, onde os camponeses viviam em profunda miséria, que foram lançadas as primeiras reformas, com o desmantelar do sistema coletivo de produção agrícola.

As reformas chegaram às cidades em meados dos anos de 1980, mas não sem antes serem testadas em Zonas Económicas Especiais no sul do país, abertas ao investimento externo.

Um desses laboratórios é Shenzhen. Então uma vila pacata, o Produto Interno Bruto da cidade ultrapassou, em 2017, os 338 mil milhões de dólares, à frente de Hong Kong ou Singapura, dois importantes centros financeiros da Ásia.

A adesão da China à Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, marca outro passo importante para o país, que é forçado a promover uma maior abertura e adaptar-se às regras internacionais.

Washington e Bruxelas, no entanto, continuam a queixar-se das dificuldades no acesso ao mercado chinês. Pequim é acusado de distorcer a concorrência, ao subsidiar empresas chinesas e através de práticas comerciais “injustas”, como violações de propriedade industrial ou transferência forçada de tecnologia, em troca de acesso ao mercado.

A taxa de câmbio da moeda chinesa, o yuan, que ainda não é totalmente convertível, continua a ser ditada pelas autoridades.

Numa tentativa de forçar Pequim a realizar “mudanças estruturais”, o Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas alfandegarias sobre 250 mil milhões de dólares de bens chineses. Porém, Xi Jinping considerou esta manhã que os feitos económicos dos últimos 40 anos legitimam o “socialismo com características chinesas”, um modelo que permite a iniciativa privada, enquanto o papel dirigente do Partido Comunista (PCC) continua a ser um “princípio cardeal”.

Xi assegurou que Pequim vai continuar a promover a abertura e o desenvolvimento, mas ao seu próprio ritmo “Mudaremos resolutamente o que pode ser reformado, e não mudaremos, resolutamente, o que não pode ser mudado”, sublinhou.

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