China Minsheng com dificuldade em trazer dinheiro da China para Novo Banco

Os chineses são os novos angolanos. Não conseguem trazer divisas da China por causa do uso das reservas para suportar o yuan. Mas ainda decorre o prazo para apresentação da declaração legal de que os candidatos têm os meios financeiros necessários. Novo Banco tem de ser vendido até agosto de 2017.

Cristina Bernardo

O China Minsheng ainda não fez prova de que tem fundos para comprar o Novo Banco, avança o site de notícias Eco. Mas a venda do Novo Banco não está em risco, segundo fonte ligada ao processo, “porque há mais propostas binding“, diz fonte conhecedora do processo.

O Jornal Económico sabe que o prazo para os candidatos fazerem a declaração legal de que têm os meios financeiros para financiar a proposta que fizeram ainda está a decorrer para todos os candidatos. “As reuniões continuam intensas com três dos candidatos (Lone Star, Apollo Managment e China Minsheng Financial). E mesmo o BCP e o BPI ainda não foram excluídos” pelo Fundo de Resolução/Banco de Portugal, apesar de estarem menos activos, revela fonte conhecedora do processo.

A proposta do China Minsheng é a mais completa e sustentável, mas esbarra com uma dificuldade. A China é a nova Angola no que toca à saída de divisas. É que as reservas de divisas estrangeiras da China, a maior do mundo, em novembro sofreram sua maior queda desde janeiro e situaram-se em 3.050 milhares de milhões de dólares (2.840 milhares de milhões de euros) uma queda de 2,29%, o equivalente a 69.000 milhões de dólares, face a outubro. Enquanto isso, o yuan continua em mínimos de oito anos, e os esforços para apoiar a moeda podem estar por trás desta nova queda das reservas. A reserva de divisas da segunda maior economia mundial, que era no início de 2016 de 3.230 milhares de milhões de dólares, foi diminuindo ao longo do ano 180.000 milhões de dólares, uma queda de 5,57%. Isto significa que China queimou quase um quarto das suas reservas de divisas desde o seu máximo de 4.000 milhares de milhões de dólares em junho de 2014.

Segundo as nossas fontes o Lone Star exigiu para a compra do Novo Banco uma garantia do vendedor para o ‘side bank’ (secção do Novo Banco que tem os activos não estratégicos e as atividades para descontinuar, sobretudo herdadas do antigo BES), no valor de 4 mil milhões de euros. A Sábado trazia na sua última edição a informação que a proposta do Lone Star inclui um “seguro” contra a desvalorização de cerca de oito mil milhões de euros de activos no Novo Banco.

O prazo está a decorrer e a possibilidade de vender o Novo Banco ainda não se esgotou, revelam fontes.

O Novo Banco tem de ser vendido até agosto de 2017 por ordem da Direção-Geral de Concorrência Europeia.

 

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